«Creio para compreender e compreendo para crer melhor» (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9) (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9)

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Jun 09

Em três dias o Papa rezou diante do coração de dois santos muito populares e queridos à devoção católica moderna:  na basílica vaticana ajoelhado diante daquele de João Maria Vianney, o Cura d'Ars falecido há um século e meio e proclamado por Pio XI padroeiro dos párocos, e em peregrinação a San Giovanni Rotondo diante do coração de Padre Pio, o capuchinho estigmatizado do Gargano que deveras reuniu à sua volta uma "clientela mundial", como disse Paulo VI três anos depois da morte do frade.
 
Se até na empobrecida linguagem comum contemporânea o coração indica o que existe de mais íntimo e profundo na pessoa humana, muito mais significativa é a escolha de Bento XVI de venerar, segundo uma antiga tradição cristã, o coração dos santos. No contexto das celebrações litúrgicas do Sagrado Coração de Jesus e da Virgem, no início do ano que o Papa quis dedicar aos sacerdotes e no proceder das suas visitas na Itália, ritmadas este ano pelas figuras de três santos como Bento, Pio e Boaventura.
 
O sentido desta escolha simbólica é claro:  é a santidade, nos passos de Cristo, o caminho a percorrer para reformar a fundo, precisamente no coração, a Igreja e cada pessoa humana. No dia de Pentecostes Bento XVI recordou a presença do Espírito:  de facto, sem ele a Igreja seria apenas um movimento histórico, não obstante grande, ou uma sólida instituição social, "talvez uma espécie de agência humanitária". E em San Giovanni Rotondo o Papa opôs de novo ao "risco do activismo e da secularização" o caminho seguido por Padre Pio: simplesmente "ouvir Cristo para cumprir a vontade de Deus".
 
Portanto, abrir o coração a Deus e à sua misericórdia. A exemplo e aqui Bento XVI dirigiu-se em particular aos sacerdotes, mas em sentido mais amplo a cada fiel do Cura d'Ars e de Padre Pio, que compreenderam bem a importância da oração e da confissão na sua vida, testemunhando-as e pondo-as à disposição, sem jamais se cansarem, de quem a eles se dirigia. São estes modelos propostos no ano dedicado aos sacerdotes, em contextos sociais e culturais mudados, nos quais "se pode sentir um certo desencorajamento diante da debilidade e até do abandono da fé" nas sociedades secularizadas e face aos quais é então necessário encontrar "novos canais" para comunicar o anúncio cristão.
 
Em San Giovanni Rotondo, em paralelo com a lucidez habitual da análise repetida também a propósito de fenómenos como os do desemprego ou do acolhimento dos refugiados, difícil, necessária e que se deve prevenir o Papa colocou uma confiança serena, que lhe é de igual modo habitual. A barca da Igreja, assim como a de cada pessoa humana, no mar da vida e no oceano da história, são de facto impelidas pelo sopro do Espírito, que purifica dos pecados e é mais forte que todos os ventos contrários. Compete a cada um abrir o próprio coração a este sopro invisível e poderoso que governa a Igreja e as vicissitudes humanas.
 

Giovanni Maria Vian - Director

publicado por spedeus às 21:24

«Dá "toda" a glória a Deus. - "Espreme" com a tua vontade, ajudado pela graça, cada uma das tuas acções, para que nelas não fique nada que cheire a humana soberba, a complacência do teu "eu".» São Josemaría Escrivá – Caminho, 784 O ‘Spe Deus’ tem evidentemente um autor que normalmente assina JPR e que caso se justifique poderá assinar com o seu nome próprio, mas como o verdadeiramente importante é Deus na sua forma Trinitária, a Virgem Santíssima, a Igreja Católica e os seus ensinamentos, optou-se pela discrição.
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