«Creio para compreender e compreendo para crer melhor» (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9) (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9)

28
Jan 10
São destes dias as palavras do Cardeal Angelo Bagnasco, presidente da importante Conferência Episcopal Italiana, a incitar a um novo compromisso dos católicos com a política: “sonho com uma nova geração de italianos e de católicos que estejam dispostos a dar o melhor do seu pensamento e projectos, o melhor dos seus dias ao serviço da coisa pública”. Esta não é uma declaração solitária, bem pelo contrário. Diferentes vozes em diversos países europeus, e mesmo entre nós, têm convergido no estimular de uma nova estação política, que conte também com a inscrição activa e o protagonismo de católicos. E, mais projectuais ou mais concretizadas, multiplicam-se já as experiências concretas no terreno.

O que há de novo neste regresso? A uma época de militância política, entre os anos 50 e 70, seguiram-se décadas de silêncio e ausência.

Os movimentos cristãos, nomeadamente a Acção Católica, constituíram uma espécie de laboratório de compromisso com o mundo e de empenho político. Era normal a circulação entre
a vivência mística e o envolvimento na acção política. A própria teologia passou a incluir uma leitura política da condição cristã, tentando uma conciliação plena dos seus vários aspectos.

Foram anos de grande efervescência criativa, onde a paixão ideológica acreditou ser possível transformar e impregnar a história de uma tensão utópica.

Depois, ou isso de todo não aconteceu ou aconteceu, mas não da forma que se esperava, e sucederam-se tempos distanciados em relação à política, olhada agora com desencanto e pragmatismo.

A própria Igreja sentiu necessidade de uma clarificação, recentrando-se no seu domínio religioso
específico e criticando experiências que podiam enfermar de algum hibridismo (recorde-se a gestão do dossier “Teologia da Libertação”).

As palavras recentes do Cardeal Bagnasco mostram, por isso, que se está a construir, efectivamente, um novo modelo. Os Católicos voltam à política. E, sobre isso, há um debate necessário e aberto a realizar, também em Portugal.

José Tolentino Mendonça - Teólogo 

(Fonte: ‘Página 1’, grupo Renascença na sua edição de 28.02.2010)
publicado por spedeus às 19:03

«Dá "toda" a glória a Deus. - "Espreme" com a tua vontade, ajudado pela graça, cada uma das tuas acções, para que nelas não fique nada que cheire a humana soberba, a complacência do teu "eu".» São Josemaría Escrivá – Caminho, 784 O ‘Spe Deus’ tem evidentemente um autor que normalmente assina JPR e que caso se justifique poderá assinar com o seu nome próprio, mas como o verdadeiramente importante é Deus na sua forma Trinitária, a Virgem Santíssima, a Igreja Católica e os seus ensinamentos, optou-se pela discrição.
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