«Creio para compreender e compreendo para crer melhor» (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9) (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9)

06
Jan 09

Graça Franco foi designada, pelo Conselho de Gerência da Emissora Católica Portuguesa, Directora de Informação da Renascença. Graça Franco sucede a Francisco Sarsfield Cabral.


Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a Renascença afirma que a nova Directora de Informação entrou em funções no dia 1 de Janeiro de 2009.
 
Graça Franco iniciou a sua carreira no Jornal Diário de Notícias e chegou a integrar os quadros da Rádio Renascença, estando posteriormente ligada à fundação do semanário O Independente, do jornal Público e da TVI.
 
Desde 1997 que Graça Franco desempenhava as funções de Directora Adjunta de Informação do Grupo Renascença.

Francisco Sarsfield Cabral continuará a colaborar activamente com o Grupo Renascença, tendo iniciado a 5 de Janeiro uma nova coluna de opinião, Ponto de Vista, no jornal online do Grupo, Página1.
 
Nacional | Agência Ecclesia| 06/01/2009 | 12:42 | 855 Caracteres |
47 | Comunicações Sociais
publicado por spedeus às 14:00

Não nos enxotam daqui, sabe? Nem pensar. Aqui estamos protegidos. A polícia olha por nós. Tomámos banho ali na casa de banho. Está ver a entrada para o parque de estacionamento? Do outro lado há uma casa de banho. Eu guardo os meus cartões aqui, os cobertores no fim, entalados, para que não mos roubem. Aqui ninguém rouba, mas, enfim, é uma precaução que não custa. No outro dia - eu não estava, trabalho ali fora a arrumar carros – veio uma equipa da Câmara Municipal de Lisboa. Os meus colegas pensaram que era para nos mandar embora aqui da Gare. Conversaram e deixaram indicações para um centro de reorientação, acho que é assim que lhe chamam. Para quem quiser fazer outra vida. Eu não quero. Não tenciono lá ir. Gosto de estar aqui. É abrigado, não tem correntes de ar. Lá em cima na plataforma faz muito frio e a chuva é terrível. Já sei que a plataforma foi desenhada por um arquitecto famoso. É uma merda na mesma. No Inverno, quem fica na plataforma à espera do comboio farta-se de sofrer. Faz um efeito bonito, à noite, vista à distância. Só isso.

 

Aqui dentro é bom. Temos a polícia por perto. Há sítios muito quentes. No outro dia, montaram aqui uma exposição sobre a Terceira Via do Tejo e comboios de alta velocidade. Fui lá espreitar. Sim, que eu sei ler. Ouvi uns senhores dizer que era preciso tirar os sem-abrigo da Gare do Oriente. Estive quase para perguntar que mal é que lhes fazíamos. Como fervo em pouca água, deixei-me estar. Como é que vim aqui parar? Não tenho família, a minha mulher deixou-me. De repente, a rua pareceu-me o sítio mais certo para estar. A rua é como eu, não tem regras, nem expectativas. Há aqui quem tenha perdido tudo. Quem seja alcoólico ou tenha problemas com drogas. Há gente de Leste e até há casais. Dizem que a Câmara vai passar a ter casas onde os casais podem dormir juntos. Agora que está frio, dormimos todos juntos, apertadinhos. Não é como ter sexo, mas é bom. Uma fotografia para o jornal? Não. Eu ainda tenho a minha dignidade.

 

(Crónica de Patricia Reis http://www.vaocombate.blogspot.com/ publicada no Semanário Económico de 3 de Janeiro de 2009 - título da responsabilidade do Pai da autora)

publicado por spedeus às 00:02

1. «À Tua luz caminharão os povos e os reis andarão ao brilho do Teu esplendor » (Is. 60, 3). Hoje a Igreja celebra a solenidade da Epifania, «manifestação» de Cristo a todos os povos, representados pelos Magos vindos do Oriente. Esta festividade ajuda-nos a penetrar o profundo sentido da missão universal da Igreja, que se pode compreender como um movimento de irradiação: o irradiar- se da luz de Cristo, reflectida no rosto do seu Corpo místico. E dado que esta luz é luz de amor, verdade e beleza, não se impõe com a força, mas ilumina as mentes e atrai os corações. Ao irradiar esta luz, a Igreja obedece ao mandato de Cristo ressuscitado: «Ide (...) ensinai todas as nações» (Mt. 28, 19). Trata-se de um movimento que, a partir do centro, da Eucaristia, se propaga em todas as direcções, através do testemunho e do anúncio do Evangelho. Este «ir» é animado por um impulso interior de caridade, sem o qual não produziria qualquer fruto. A experiência dos Magos é muito eloquente a este propósito: eles movem-se guiados pela luz de uma estrela, que os atrai a Cristo. A Igreja deve ser como aquela estrela, isto é, capaz de reflectir a luz de Cristo, a fim de que os homens e os povos em busca de verdade e justiça se ponham em caminho rumo a Jesus, único Salvador do mundo. 2. Esta tarefa missionária é confiada a todo o Povo de Deus, mas incumbe de modo especial a quantos são chamados ao ministério apostólico, isto é, aos Bispos e Sacerdotes. Hoje, Festividade da Epifania, segundo um costume já consolidado, tive a alegria de consagrar doze novos Bispos. Rezemos juntos por estes novos Pastores e por todos os Bispos do mundo, para que o seu serviço ao Evangelho seja cada vez mais generoso e fiel. 3. Neste dia, dirijo um pensamento especial aos irmãos do Oriente cristão, muitos dos quais celebram precisamente hoje o Santo Natal. Diante do ícone do Menino Jesus, amorosamente protegido por Maria e São José, desejamos invocar a graça de um ulterior aprofundamento das relações de compreensão e comunhão entre os cristãos do Oriente e do Ocidente. Com efeito, as diversidades nas tradições litúrgicas não só não devem constituir um obstáculo para a unidade, mas devem ser um estímulo para o conhecimento e o enriquecimento recíprocos. Confiamos estes votos à Virgem Maria, enquanto lhe pedimos, de modo particular, que acompanhe os Bispos consagrados hoje de manhã no seu ministério pastoral. (Angelus - 06-I-1997 - João Paulo II)

Solenidade antecipada no Calendário Litúrgico em alguns países para o passado Domingo dia 4, mas que de facto corresponde ao dia de hoje.

(JPR)

Foto: A Adoração dos Magos - Domenico Ghirlandaio - Florença

publicado por spedeus às 00:01

S. Marcos 6, 34-44
 
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas.
 
A hora já ia muito adiantada, quando os discípulos se aproximaram e disseram: «O lugar é deserto e a hora vai adiantada. Manda-os embora, para irem aos campos e aldeias comprar de comer.» Jesus respondeu: «Dai-lhes vós mesmos de comer.»
 
Eles disseram-lhe: «Vamos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?»
 
Mas Ele perguntou: «Quantos pães tendes? Ide ver.» Depois de se informarem, responderam:
 
«Cinco pães e dois peixes.»
 
Ordenou-lhes que os mandassem sentar por grupos na erva verde.
 
E sentaram-se, por grupos de cem e cinquenta.
Jesus tomou, então, os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e dava-os aos seus discípulos, para que eles os repartissem. Dividiu também os dois peixes por todos.
 
Comeram até ficarem saciados.
 
E havia ainda doze cestos com os bocados de pão e os restos de peixe.
 
Ora os que tinham comido daqueles pães eram cinco mil homens.

publicado por spedeus às 00:00

05
Jan 09
O Borda d'Água chama-se Borda d'Água, porquê? Porque (leio nesta edição do DN) o velho almanaque anunciava as marés e era afixado nos cais, à borda da água. Que bela pescadinha de rabo na boca: fiquei com mais uma informação útil e, esta, sobre o anuário das informações úteis. Eu já lhe estava grato por saber que hoje é dia de São João Nepomuceno, que nos protege das calúnias. E que, sendo Janeiro, é tempo de plantar, nas hortas, favas, e, nos jardins, begónias... Evidentemente, admiro o Borda d'Água por tantos saberes só a 1,50 euros. Mas o que é, mesmo, admirável no almanaque é ele ter encontrado aquilo que todos andamos à procura e poucos alcançam: a rolha. Sim, também nos espantamos com o sucesso do Larry Page e o seu Google ou do Bill Gates e a Microsoft - mas esses tinham o mercado mundial à espera e a modernidade a empurrá-los. Apetece dizer, assim também eu... Agora, com o Borda d'Água, o mundo era este, luso, apertadinho, e foi a contra-corrente: quem quer saber, hoje, das fases da Lua? Pois, 340 mil portugueses, no ano passado (nem o Saramago...)! E olhem outra glória: o almanaque Borda d'Água já é uma espécie de Lacoste, já o falsificam... Ferreira Fernandes (Fonte: DN online de 5.1.2009)
publicado por spedeus às 08:17

«Maria sabe (…), ao louvar no Magnificat os grandes feitos de Deus nela, feitos, que de então em diante, serão reconhecidos por todas as gerações de tal forma que ela, Maria, se dita pura e simplesmente a Bem-aventurada.
(…)
Mas será difícil encontrar nela os traços de mulher lutadora: ela vive inteiramente para o serviço de seu Filho e deve deixá-lo dispor dela, como ele quer e é necessário. Um tal serviço é, contudo, coisa de todas as épocas cristãs, como quer que nelas a imagem da mulher se vá transformando.»
 

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)
 
 
Permitam-me que compartilhe, convosco uma outra visão a que associo Nossa Senhora, vejo-a como uma mulher culta, diria mesmo de grande cultura, não só pelo conhecimento da lei moisaica, mas sobretudo por ter contextualizado o seu SIM na Anunciação colocando-se imediatamente ao dispor do Senhor, por ter tido a percepção, e nisso realmente o elemento feminino é extraordinário, durante as Bodas de Caná que havia chegado o momento de Jesus Cristo se manifestar publicamente e por ter sido o elemento aglutinador de todos os discípulos do Senhor após a Sua morte e Ressurreição mantendo-os unidos até ao Pentecostes. 
 
Além do dogma da Assunção, que vivemos com intenso amor filial, dela mais nada sabemos após o Pentecostes (Act. 1,14 – 2,1), a não ser que dos seus exemplos retirámos extraordinárias lições, nomeadamente que através dela temos um acesso garantido e sólido a seu Filho, saibamos pois “usar e abusar” da sua maternal disponibilidade.
 
 
(JPR)
publicado por spedeus às 00:01

S. Mateus 4,12-17.23-25
 
Tendo ouvido dizer que João fora preso, Jesus retirou-se para a Galileia. Depois, abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm, cidade situada à beira-mar, na região de Zabulão e Neftali, para que se cumprisse o que o profeta Isaías anunciara: Terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios. O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz; e aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz. A partir desse momento, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.» Depois, começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades. A sua fama estendeu-se por toda a Síria e trouxeram-lhe todos os que sofriam de qualquer mal, os que padeciam doenças e tormentos, os possessos, os epilépticos e os paralíticos; e Ele curou-os. E seguiram-no grandes multidões, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.
publicado por spedeus às 00:00

04
Jan 09

Unindo-se aos patriarcas e aos chefes das Igrejas cristãs de Jerusalém, o Papa convida a “rezar pelo fim do conflito na Faixa de Gaza, implorando justiça e paz para a sua terra”. Foi a seguir à recitação do Angelus, ao meio-dia, na Praça de São Pedro, neste domingo ao meio-dia, que Bento XVI fez seu este apelo dos líderes cristãs da Terra Santa, recordando (citamos) “as vítimas, os feridos, os que têm o coração despedaçado, os que vivem na angústia e no medo, para que Deus os conforte com a sua consolação, com a paciência e a paz que d’Ele vêm”.

 

“As dramáticas notícias que provêm de Gaza mostram como a recusa do diálogo leva a situações que pesam gravemente, de modo indizível, sobre as populações mais uma vez vítimas do ódio e da guerra. A guerra e o ódio não são a solução dos problemas. Confirma-o também a história mais recente. Rezemos, portanto, para que o Menino na manjedoura … inspire as autoridades e os responsáveis de ambas as frontes, israelita e palestiniano, a uma acção imediata para pôr termo à actual trágica situação”.

 

Também na saudação em língua inglesa, o Papa exortou a rezar para “que a paz proclamada pelos Anjos em Belém se radique cada vez mais nos corações humanos, pondo de lado a discórdia e a violência e inspirando a família humana a viver em harmonia e solidariedade”.

 

Na habitual alocução antes das Ave Marias, o Papa comentou o Prólogo de São João que a Igreja propõe neste domingo como Evangelho do dia ***. “A Igreja de novo nos convida a contemplar o mistério do Natal de Cristo, para captar ainda mais o seu significado profundo e a sua importância para a nossa vida. Trata-se de um texto admirável, que oferece uma síntese vertiginosa de toda a fé cristã”. Partindo do alto – “No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus” – o apóstolo apresenta “a verdade inaudita e humanamente inconcebível”: “O Verbo fez-se carne e veio habitar no meio de nós”.

 

“Não é uma figura retórica, mas sim uma experiência vivida! Quem a refere é João, testemunha ocular: Nós contemplámos a sua glória, glória como do Filho unigénito do Papa, cheio de graça e de verdade!”

 

“Não é a palavra douta de um rabino ou de um doutor da lei (comentou Bento XVI). É o testemunho apaixonado de um humilde pescador que, tendo sido atraído, jovem, por Jesus de Nazaré, nos três anos de vida comum com Ele e com os outros apóstolos, experimentou o seu amor (ao ponto de se definir como “o discípulo que Jesus amava”) e o viu morrer na cruz e aparecer ressuscitado e depois recebeu com os outros o seu Espírito. De toda esta experiência, meditada no seu coração, João captou uma íntima certeza: Jesus é a Sapiência de Deus incarnada, é a sua Palavra eterna, que se fez homem mortal. Para um verdadeiro Israelita, que conhece as sagradas Escrituras, isto não é um contra-senso, mais ainda, é o cumprimento de todo a antiga Aliança: em Jesus Cristo tem lugar a plenitude do mistério de um Deus que fala aos homens como a amigos, que se revela a Moisés na Lei, aos sapientes e aos profetas”.

 

“Conhecendo Jesus, estando com Ele, escutando a sua pregação e vendo os sinais que Ele realizava, os discípulos reconheceram que n’Ele se realizavam todas as Escrituras”. Como afirmará depois Hugo de São Vítor, um autor cristão: “Toda a Escritura divina constitui um só livro e este único livro é Cristo, fala de Cristo e encontra em Cristo o seu cumprimento”.

 

“A primeira a abrir o coração e a contemplar ‘o Verbo de Deus que se faz carne’ foi Maria, a Mãe de Jesus” – observou o Papa. “Uma humilde jovem da Galileia que se tornou assim a ‘sede da Sabedoria’!” “Como o apóstolo João, cada um de nós é convidado a “acolhê-la consigo”, para conhecer profundamente Jesus e experimentar o seu amor fiel e inexaurível” – concluiu Bento XVI.

 

*** O Evangelho deste Domingo (S. João 1. 1-18) em Itália aonde no dia 6 se celebrará a Epifania, não é o mesmo da Liturgia celebrada hoje entre nós em que festejamos esta Solenidade.

 

(Fonte: site Radio Vaticana)

publicado por spedeus às 14:18

«8. Estamos agora na Epifania do Senhor. Eis a cena dos Reis Magos em torno de Jesus, em Belém. Oh! que espetáculo! Vindos do oriente, avisados e, para sua grande alegria, guiados por um astro prodigioso, como no-lo descreve o evangelista são Mateus com deliciosa simplicidade de palavras e de cores. Mal chegam, ei-los em adoração, diante do menino Jesus, manifestando assim seus sentimentos e lhe oferecendo seus presentes: ouro, incenso e mirra (Mt 2,1,12).
 

9. Sob a figura desses inesperados visitantes da alta camada social, como são os Magos, flor eleita por dignidade pessoal, pela inteligência aberta e ávida de saber, encarregados de funções sagradas e de responsabilidades, é-nos sumamente agradável contemplar o espetáculo encantador de todos os membros do sacerdócio católico - bispos, prelados, sacerdotes do clero secular e regular - guiados todos pela mesma estrela para cumular de homenagens o mesmo Jesus, sempre vivo através dos séculos no centro de sua Igreja, gloriosa e imortal.
 
10. Não se deveria dizer que o concílio ecumênico, antes que um novo e grandioso pentecostes, quer ser uma verdadeira e nova Epifania? Uma das tantas, mas não das menos solenes manifestações que se deram e que se dão no decorrer da história? É bem significativo o elo daqueles três singulares e afortunados personagens de adorar em mística oração e de oferecer os preciosos dons de sua terra, em nome de todo o mundo, ao recém-nascido.»
 
 
(Exortação Apostólica "Sacrae Laudis" - João XXIII)
publicado por spedeus às 11:05

«…o nascimento do Rei dos Judeus tinha sido anunciado com o surgir de uma estrela, visível de muito longe. Foi este o testemunho de "alguns Magos", que do oriente foram a Jerusalém pouco depois do nascimento de Jesus, no tempo do rei Herodes (cf. Mt 2, 1-2). Mais uma vez se reevocam e se respondem o céu e a terra, a criação e a história. As antigas profecias encontram confirmação na linguagem dos astros. "Uma estrela sai de Jacob, e um ceptro flamejante surge do seio de Israel" (Nm 24, 17), tinha anunciado o vidente pagão Balaão, chamado a amaldiçoar o povo de Israel, e que ao contrário o abençoou porque revelou-lhe Deus "aquele povo é abençoado" (Nm 22, 12). Cromácio de Aquileia, no seu Comentário ao Evangelho de Mateus, pondo em relação Balaão com os Magos, escreve: "Aquele profetizou que Cristo teria vindo; estes viram-no com os olhos da fé". E acrescenta uma observação importante: "A estrela era vista por todos, mas nem todos a receberam" (ibid., 4, 1-2). Sobressai aqui o significado na perspectiva histórica, do símbolo da luz aplicado ao nascimento de Cristo: ele expressa a bênção especial de Deus sobre a descendência de Abraão, destinada a alargar-se a todos os povos da terra.»
 
 
(Excerto homilia do dia 6/I/2008 – Bento XVI)
publicado por spedeus às 00:01

publicado por spedeus às 00:00

03
Jan 09
Leitura de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus – Mt 2,1-12
 
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente.
«Onde está – perguntaram eles –o rei dos judeus que acaba de nascer?
Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O».
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta:
‘Tu, Belém, terra de Jusá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’».
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.
Depois enviou-os a Belém e disse-lhes:
«Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O».
Ouvido o rei, puseram-se a caminho.
E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria.
Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O.
Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.
publicado por spedeus às 12:00

publicado por spedeus às 00:01

A veneração de Maria é o caminho mais seguro e curto para nos levar à intimidade com Cristo. Na meditação da sua vida em todas as suas fases aprendemos o que significa viver para Cristo e com Cristo, no quotidiano, de uma forma concreta que não comporta qualquer exaltação mas que introduz a uma intimidade perfeita. Contemplando a existência de Maria, nós pomo-nos à disposição, mesmo na obscuridade infligida à nossa fé, mas aprendemos como se deve estar a postos quando Jesus subitamente pede algo.
 

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)
publicado por spedeus às 00:00

02
Jan 09

Ano Novo, vida nova e, para começarmos bem, para construirmos 2009 da melhor maneira, aqui vai um conselho de Bento XVI: constrói sobre a areia quem constrói sobre coisas visíveis, sobre o sucesso, a carreira e o dinheiro.

 

Aparentemente, são estas as verdadeiras realidades. Mas tudo isto acabará um dia. Vemo-lo, agora, com queda dos bancos: o dinheiro desaparece, é nada.

 

Quem constrói a sua vida sobre estas realidades constrói sobre a areia. Pelo contrário, quem constrói a sua vida sobre a Palavra de Deus é realista porque a Palavra de Deus é o fundamento de tudo e permanece. É estável como o céu e mais ainda que o céu: é a realidade.

 

Sejamos, pois, realistas.

 

Feliz 2009!

 

Aura Miguel
 
(Fonte: site RR)

publicado por spedeus às 17:56


Em início de novo ano, o Santuário de Fátima anuncia com alegria que já é possível visualizar on line e em directo a Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima.

Disponível 24h00 por dia, em www.fatima.pt, este serviço surge em resposta aos muitos pedidos que os internautas fizeram chegar nos últimos anos ao Santuário de Fátima.
 
É agora possível ver em directo o chamado ‘coração’ do Santuário de Fátima, e acompanhar as celebrações ali realizadas.

O pedestal, onde se encontra a imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, marca o sítio exacto onde estava a pequena azinheira (desaparecida), de um metro e pouco de altura, sobre a qual Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos em 13 de Maio, Junho, Julho, Setembro e Outubro de 1917.

A construção da Capelinha, de 28 de Abril a 15 de Junho de 1919, foi a resposta ao pedido de Nossa Senhora "quero que façam aqui uma capela em minha honra". A primeira Missa foi ali celebrada no dia 13 de Outubro de 1921. Tendo sido dinamitada em 6 de Março de 1922, foi reconstruída ainda nesse mesmo ano. Em 1982 foi construído um vasto alpendre, tendo sido inaugurado aquando da visita do Papa João Paulo II em 12 de Maio desse ano.
 
Várias celebrações são realizadas diariamente na Capelinha das Aparições, conforme o programa disponível em http://www.fatima.pt/portal/index.php?id=1392
 
Outras transmissões em directo a partir da Capelinha das Aparições:
Recorde-se que, desde há vários anos, a Rádio Renascença – Emissora Católica Portuguesa transmite em directo, primeiramente via rádio e agora também por Internet, de segunda a sexta-feira, a partir da Capelinha das Aparições, o Rosário das 18h30.
 
Mais recentemente, a Tv. e Rádio Canção Nova e a Telepace (Itália) transmitem via televisão o mesmo Rosário.
 
BOLETIM INFORMATIVO, 01/2009, 03 de Janeiro de 2009, 11h00
Santuário de Fátima – Reitoria
Centro de Comunicação Social
publicado por spedeus às 13:57

O cristão tem toda a liberdade para acreditar que o universo está organizado de acordo com uma certa ordem, e sujeito a um desenvolvimento inevitável; já o materialista está impedido de admitir que exista, na sua impecável maquinaria, a menor partícula de espiritualismo ou de milagre. (…). O cristão admite que o universo é variado, admite mesmo que é uma miscelânea, e qualquer homem são sabe que ele próprio é um ser complexo. Eu diria mesmo que qualquer homem são sabe que tem uma parte de animal, uma parte de demónio, uma parte de santo, uma parte de cidadão; mais ainda, um homem que seja de facto são sabe que também tem uma parte de louco. Já o mundo do materialista é totalmente simples e sólido, tal como o louco tem a certeza absoluta de que está são. O materialista tem a certeza de que a história foi, pura e simplesmente, uma cadeia de causas e efeitos, tal como o sujeito atrás mencionado tem a certeza ele que é, pura e simplesmente, uma galinha. Os materialistas e os loucos nunca têm dúvidas.
 
 
"Ortodoxia" de Gilbert K. Chesterton – Alêtheia Editores (pág. 31)
publicado por spedeus às 00:01

publicado por spedeus às 00:00

01
Jan 09

O bispo do Porto manifestou preocupado com "a incidência infantil da pobreza", destacando a importância dos cuidados maternos, educação, vacinação e recursos médicos e ambientais, "sem esquecer a promoção e a estabilidade da família, pois “quando a família se debilita, os danos recaem inevitavelmente sobre as crianças”.

Na sua homilia de Ano Novo, hoje na Sé Catedral do Porto, D. Manuel Clemente subscreveu as palavras do Papa Bento XVI sobre a pobreza mundial e as suas causas: “Como Igreja do Porto, devemos acolher profunda e consequentemente a exortação papal, neste Dia Mundial da Paz”, afirmou, apelando a todos os cristãos para que “alarguem o coração às necessidades dos pobres” e façam tudo o que for possível para ir em seu socorro.

Na sua Homilia, o Bispo do Porto criticou ainda aqueles que associam a pobreza ao crescimento da população e que apostam em campanhas de redução da natalidade.

"Antes de mais no âmbito demográfico, que certos equívocos tem trazido, alegando-se que a pobreza está associada ao crescimento da população e tomando este como factor negativo e até 'justificativo' de campanhas de redução da natalidade, onde não faltam atentados à dignidade da mulher, aos direitos dos pais e à vida dos nascituros", recordou o bispo.

Para D. Manuel Clemente, "muito pelo contrário, verifica-se que nas últimas três décadas saíram da pobreza algumas populações que registaram 'um incremento demográfico notável', revelando-se o índice positivo da natalidade como potenciador de progresso".

O bispo do Porto não esqueceu, no entanto, as pandemias que atingem algumas zonas do Mundo, pondo em causa os sectores produtivos e a vida em geral. D. Manuel Clemente defendeu que o combate às pandemias "não dispensa, em especial nalguns casos como a SIDA, a educação para uma sexualidade respeitadora da dignidade própria e alheia".
 

 

PC

(Fonte: site RR – para ler a extraordinária mensagem de Bento XVI ir a http://spedeus.blogspot.com/2009/01/mensagem-de-sua-santidade-bento-xvi.html é longa, mas vale verdadeiramente a pena como aliás o Santo Padre já nos habitou em tudo o que escreve)

publicado por spedeus às 17:53

A segunda parte de 2008 faz emergir uma crise económica de vastas proporções. Tal crise deve ser lida em profundidade, como um sintoma grave que exige uma intervenção sobre as suas causas. Foi o que salientou Bento XVI antes da recitação do Angelus resumindo para cerca de 200 mil fiéis congregados na Praça de São Pedro as considerações propostas nas homilias de ontem no fim da tarde durante a celebração de Vésperas e o Te Deum de fim de ano e a celebração deste primeiro de Janeiro Dia Mundial da Paz.

 

“No inicio de um novo ano, o primeiro objectivo é precisamente aquele de convidar todos. Governantes e simples cidadãos, a não desencorajar-se perante as dificuldades e as falências, mas de renovar o seu empenho”.

 

 

Não é suficiente – explicou - colocar remendos novos num vestido velho: colocar os pobres em primeiro lugar significa passar com decisão àquela solidariedade global que já o Papa João Paulo II indicara como necessária, concertando as potencialidades do mercado, com aquelas da sociedade civil, no respeito constante da legalidade e tendendo sempre ao bem comum.

 

Jesus Cristo – recordou – não organizou campanhas contra a pobreza, mas anunciou aos pobres o Evangelho, para um resgate integral da miséria moral e material. A mesma coisa faz a Igreja, com a sua obra incessante de evangelização e promoção humana. Que a Virgem Maria, Mãe de Deus, ajude todos os homens a caminhar juntos na via da paz.

 

(Fonte: site Radio Vaticana)

publicado por spedeus às 17:53

Bento XVI sublinhou que Deus escolheu a pobreza para si mesmo ao vir a este mundo. Porquê? Por amor. Assim fez também Francisco de Assis. Não faltou uma referência expressa à violência que explodiu na Faixa de Gaza. Também a violência é uma forma de “pobreza”. Há que a combater e “dar respostas concretas à aspiração geral a viver em paz, em segurança, em dignidade”. Apresentando a todos os melhores votos para o Ano Novo, Bento XVI, comentando a primeira leitura, evocou a “antiga tradição hebraica da bênção”. A partir do “acontecimento de Belém”, concreto, histórico, a Palavra proclamada nesta celebração “torna-se bênção para o povo de Deus e para toda a humanidade”. Ora – sublinhou o Papa – “para poderem caminhar pelo caminho da paz, os homens e os povos têm necessidade de ser iluminados pelo rosto de Deus e de ser abençoados pelo seu nome”. Foi o que aconteceu com a incarnação, que “trouxe consigo uma bênção irrevogável, uma luz que não se extingue e que oferece aos crentes e aos homens de boa vontade a possibilidade de construir a civilização do amor e da paz”. “A história terrena de Jesus, culminando no mistério pascal, é o início de um mundo novo, porque inaugurou realmente uma nova humanidade, capaz, sempre e só com a graça de Cristo, de operar uma revolução pacífica. Uma revolução não ideológica, mas espiritual, não utópica mas real, e para tal carecida de infinita paciência, com tempos por vezes muito longos, evitando os atalhos e percorrendo o caminho mais difícil: a via da maturação da responsabilidade das consciências”. É “esta a via evangélica para a paz”, a via que o próprio Bispo de Roma há-de percorrer – observou Bento XVI. Passando ao tema do Dia Mundial da Paz 2009 - “combater a pobreza, construir a paz”, o Papa propôs-se desenvolver brevemente dois aspectos: “por um lado, a pobreza escolhida e proposta por Jesus; por outro, a pobreza a combater para tornar o mundo mais justo e solidário”. “O nascimento de Jesus em Belém revela-nos que Deus escolheu para si mesmo a pobreza, ao vir ao meio de nós”. Quis nascer, viver e morrer assim. Porquê? Citando um cântico natalício composto por Santo Afonso Maria de Ligório e muito popular em Itália, Bento XVI apontou a resposta: “foi o amor por nós que levou Jesus não só a fazer-se homem, mas também a fazer-se pobre”. “Testemunha exemplar desta pobreza escolhida por amor é Francisco de Assis. Na história da Igreja e da civilização cristã, o franciscanismo constitui uma difusa corrente de pobreza evangélica, que tanto bem fez e continua a fazer à Igreja e à família humana”. Aliás, observou o Papa, aludindo à “estupenda síntese de Paulo sobre Jesus” e à exortação dirigida aos cristãos de Corinto quando lhes pedia para serem generosos a favor dos pobres: “Não se trata de colocar-vos em dificuldade para aliviar os outros, mas sim de fazer com que haja igualdade”. Bento XVI passou assim ao segundo aspecto: “Há uma pobreza, uma indigência, que Deus não quer e que há que combater (como diz o tema deste Dia Mundial da Paz): a pobreza que impede às pessoas e às famílias de viverem segundo a sua dignidade. Uma pobreza que ofende a justiça e a igualdade e que, como tal, ameaça a convivência pacífica. Nesta acepção negativa se incluem todas as formas de pobreza não material que existem também nas sociedades ricas e avançadas: marginalização, miséria relacional, moral e espiritual”. Aludindo à sua mensagem para este Dia Mundial da Paz, Bento XVI evocou brevemente o fenómeno da globalização e suas relações com a pobreza em larga escala: as doenças pandémicas, a pobreza das crianças, a crise alimentar e a “inaceitável corrida ao incremento dos armamentos”. Há que “tentar estabelecer – sublinhou o Papa – um círculo virtuoso entre a pobreza a escolher e a pobreza a combater”:“para combater a pobreza iníqua, que oprime tantos homens e mulheres e ameaça a paz de todos, há que redescobrir a sobriedade e a solidariedade, como valores evangélicos e ao mesmo tempo universais”. Mais concretamente, há que “reduzir o desnível entre quem esbanja o supérfluo e quem carece até mesmo do necessário”. “Isto comporta escolhas de justiça e de sobriedade, opções que se impõem aliás pela exigência de administrar sapientemente os limitados recursos da terra”. Isso, “não por a pobreza ser um valor em si, mas porque é condição para realizar a sobriedade”. “Quando Francisco de Assis se despoja dos seus bens, faz uma opção de testemunho inspirada directamente por Deus, mas ao mesmo tempo mostra a todos o caminho da confiança na Providência. Assim também, na Igreja, o voto de pobreza é o compromisso de alguns, mas recorda a todos a exigência do desprendimento dos bens materiais e o primado das riquezas do espírito”. “A pobreza do nascimento de Cristo, em Belém, para além de ser objecto de adoração para os cristãos, é também, para todos, escola de vida , que nos ensina a combater a miséria, material ou espiritual, o caminho a percorrer é o da solidariedade, a que levou Jesus a partilhar a nossa condição humana”. Foi na parte final da homilia que Bento XVI se referiu à situação da Faixa de Gaza. Reflectindo sobre os sentimentos vividos por Maria, que foi compreendendo gradualmente “o mistério da pobreza de Deus”, percebendo que “Deus se fez pobre por nós, para nos enriquecer com a sua pobreza plena de amor, exortando-nos a conter a avidez desenfreada que suscita lutas e divisões e convidando-nos a moderar a obsessão de possuir e a disponibilizar-nos à partilha e ao acolhimento recíproco”. “A Maria – prosseguiu o Papa – confiamos o profundo desejo de viver em paz que sobe do coração da grande maior parte das populações israelitas e palestinianas, mais uma vez colocadas em situação de risco pela maciça violência que explodiu na Faixa de Gaza, em resposta a outra violência”. “Também a violência, também o ódio e a desconfiança - observou - são formas de pobreza (porventura as mais tremendas) que há que combater. Não sejam elas a prevalecer!” E Bento XVI concluiu a homilia convidando a (citamos) “depor aos pés de Maria as nossas preocupações pelo presente e os temores sobre o futuro, mas ao mesmo tempo a fundada esperança de que, com o contributo sapiente e clarividente de todos, não há-de ser impossível escutar-se, ir ao encontro do outro e dar respostas concretas à aspiração geral a vier em paz, em segurança, em dignidade”. “Acompanha-nos, celeste Mãe do Redentor, ao longo de todo o ano que agora inicia, e obtém-nos de Deus o dom da paz para a Terra Santa e para toda a humanidade”. (Fonte: site Radio Vaticana)
publicado por spedeus às 14:24

Ave Maria! Jungfrau mild, Erhöre einer Jungfrau Flehen, Aus diesem Felsen starr und wild Soll mein Gebet zu dir hin wehen, Zu dir hin wehen. Wir schlafen sicher bis zum Morgen, Ob Menschen noch so grausam sind. O Jungfrau, sieh der Jungfrau Sorgen, O Mutter, hör ein bittend Kind! Ave Maria! Ave Maria!

Unbefleckt, Wenn wir auf diesen Fels hinsinken Zum Schlaf, und uns dein Schutz bedeckt, Wird weich der harte Fels uns dünken Du lächelst, Rosendüfte wehen In dieser dumpfen Felsenkluft. O Mutter, höre Kindes Flehen, O Jungfrau, eine Jungfrau ruft! Ave Maria!

Ave Maria! Reine Magd, Der Erde und der Luft Dämonen, Von deines Auges Huld verjagt, Sie können hier nicht bei uns wohnen Wir woll'n uns still dem Schicksal beugen, Da uns dein heilger Trost anweht; Der Jungfrau wolle hold dich neigen, Dem Kind, das für den Vater fleht! Ave Maria!

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«O primeiro dia do ano é posto sob a especial protecção de Maria. Iniciamos o Ano 2000 sob o olhar amoroso da Mãe de Deus, que dá ao mundo Cristo, Príncipe da Paz. O manto da sua maternidade se estenda sobre todos e nos proteja do mal, nos livre do ódio e da violência.
 
Acompanhe a humanidade por veredas de paz. Cada homem descubra nos outros, para além de toda a fronteira, o rosto de irmãos, amigos, membros de uma só família.
 
 
Maria, Mãe de Deus, torna-nos apóstolos de paz!»
 

(Angelus de I-I-MM – João Paulo II)
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COMBATER A POBREZA, CONSTRUIR A PAZ
 
1. Desejo, também no início deste novo ano, fazer chegar os meus votos de paz a todos e, com esta minha Mensagem, convidá-los a reflectir sobre o tema: Combater a pobreza, construir a paz. Já o meu venerado antecessor João Paulo II, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1993, sublinhara as repercussões negativas que acaba por ter sobre a paz a situação de pobreza em que versam populações inteiras. De facto, a pobreza encontra-se frequentemente entre os factores que favorecem ou agravam os conflitos, mesmo os conflitos armados. Estes últimos, por sua vez, alimentam trágicas situações de pobreza. «Vai-se afirmando (...), com uma gravidade sempre maior – escrevia João Paulo II –, outra séria ameaça à paz: muitas pessoas, mais ainda, populações inteiras vivem hoje em condições de extrema pobreza. A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo nas nações economicamente mais desenvolvidas. Trata-se de um problema que se impõe à consciência da humanidade, visto que as condições em que se encontra um grande número de pessoas são tais que ofendem a sua dignidade natural e, consequentemente, comprometem o autêntico e harmónico progresso da comunidade mundial».
 
2. Neste contexto, combater a pobreza implica uma análise atenta do fenómeno complexo que é a globalização. Tal análise é já importante do ponto de vista metodológico, porque convida a pôr em prática o fruto das pesquisas realizadas pelos economistas e sociólogos sobre tantos aspectos da pobreza. Mas a evocação da globalização deveria revestir também um significado espiritual e moral, solicitando a olhar os pobres bem cientes da perspectiva que todos somos participantes de um único projecto divino: chamados a constituir uma única família, na qual todos – indivíduos, povos e nações – regulem o seu comportamento segundo os princípios de fraternidade e responsabilidade.
 
Em tal perspectiva, é preciso ter uma visão ampla e articulada da pobreza. Se esta fosse apenas material, para iluminar as suas principais características, seriam suficientes as ciências sociais que nos ajudam a medir os fenómenos baseados sobretudo em dados de tipo quantitativo. Sabemos porém que existem pobrezas imateriais, isto é, que não são consequência directa e automática de carências materiais. Por exemplo, nas sociedades ricas e avançadas, existem fenómenos de marginalização, pobreza relacional, moral e espiritual: trata-se de pessoas desorientadas interiormente, que, apesar do bem-estar económico, vivem diversas formas de transtorno. Penso, por um lado, no chamado «subdesenvolvimento moral» e, por outro, nas consequências negativas do «superdesenvolvimento». Não esqueço também que muitas vezes, nas sociedades chamadas «pobres», o crescimento económico é entravado por impedimentos culturais, que não permitem uma conveniente utilização dos recursos. Seja como for, não restam dúvidas de que toda a forma de pobreza imposta tem, na sua raiz, a falta de respeito pela dignidade transcendente da pessoa humana. Quando o homem não é visto na integridade da sua vocação e não se respeitam as exigências duma verdadeira «ecologia humana», desencadeiam-se também as dinâmicas perversas da pobreza, como é evidente em alguns âmbitos sobre os quais passo a deter brevemente a minha atenção.
 
Pobreza e implicações morais
 
3. A pobreza aparece muitas vezes associada, como se fosse sua causa, com o desenvolvimento demográfico. Em consequência disso, realizam-se campanhas de redução da natalidade, promovidas a nível internacional, até com métodos que não respeitam a dignidade da mulher nem o direito dos esposos a decidirem responsavelmente o número dos filhos e que muitas vezes – facto ainda mais grave – não respeitam sequer o direito à vida. O extermínio de milhões de nascituros, em nome da luta à pobreza, constitui na realidade a eliminação dos mais pobres dentre os seres humanos. Contra tal presunção, fala o dado seguinte: enquanto, em 1981, cerca de 40% da população mundial vivia abaixo da linha de pobreza absoluta, hoje tal percentagem aparece substancialmente reduzida a metade, tendo saído da pobreza populações caracterizadas precisamente por um incremento demográfico notável. O dado agora assinalado põe em evidência que existiriam os recursos para se resolver o problema da pobreza, mesmo no caso de um crescimento da população. E não se há-de esquecer que, desde o fim da segunda guerra mundial até hoje, a população da terra cresceu quatro mil milhões e tal fenómeno diz respeito, em larga medida, a países que surgiram recentemente na cena internacional como novas potências económicas e conheceram um rápido desenvolvimento graças precisamente ao elevado número dos seus habitantes. Além disso, dentre as nações que mais se desenvolveram, aquelas que detêm maiores índices de natalidade gozam de melhores potencialidades de progresso. Por outras palavras, a população confirma-se como uma riqueza e não como um factor de pobreza.
 
4. Outro âmbito de preocupação são as pandemias, como por exemplo a malária, a tuberculose e a SIDA, pois, na medida em que atingem os sectores produtivos da população, influem enormemente no agravamento das condições gerais do país. As tentativas para travar as consequências destas doenças na população nem sempre alcançam resultados significativos. E sucede além disso que os países afectados por algumas dessas pandemias se vêem, ao querer enfrentá-las, sujeitos a chantagem por parte de quem condiciona a ajuda económica à actuação de políticas contrárias à vida. Sobretudo a SIDA, dramática causa de pobreza, é difícil combatê-la se não se enfrentarem as problemáticas morais associadas com a difusão do vírus. É preciso, antes de tudo, fomentar campanhas que eduquem, especialmente os jovens, para uma sexualidade plenamente respeitadora da dignidade da pessoa; iniciativas realizadas nesta linha já deram frutos significativos, fazendo diminuir a difusão da SIDA. Depois há que colocar à disposição também das populações pobres os remédios e os tratamentos necessários; isto supõe uma decidida promoção da pesquisa médica e das inovações terapêuticas e, quando for preciso, uma aplicação flexível das regras internacionais de protecção da propriedade intelectual, de modo que a todos fiquem garantidos os necessários tratamentos sanitários de base.
 
5. Terceiro âmbito, que é objecto de atenção nos programas de luta contra a pobreza e que mostra a sua intrínseca dimensão moral, é a pobreza das crianças. Quando a pobreza atinge uma família, as crianças são as suas vítimas mais vulneráveis: actualmente quase metade dos que vivem em pobreza absoluta é constituída por crianças. O facto de olhar a pobreza colocando-se da parte das crianças induz a reter como prioritários os objectivos que mais directamente lhes dizem respeito, como por exemplo os cuidados maternos, o serviço educativo, o acesso às vacinas, aos cuidados médicos e à água potável, a defesa do ambiente e sobretudo o empenho na defesa da família e da estabilidade das relações no seio da mesma. Quando a família se debilita, os danos recaem inevitavelmente sobre as crianças. Onde não é tutelada a dignidade da mulher e da mãe, a ressentir-se do facto são de novo principalmente os filhos.
 
6. Quarto âmbito que, do ponto de vista moral, merece particular atenção é a relação existente entre desarmamento e progresso. Gera preocupação o actual nível global de despesa militar. É que, como já tive ocasião de sublinhar, «os ingentes recursos materiais e humanos empregados para as despesas militares e para os armamentos, na realidade, são desviados dos projectos de desenvolvimento dos povos, especialmente dos mais pobres e necessitados de ajuda. E isto está contra o estipulado na própria Carta das Nações Unidas, que empenha a comunidade internacional, e cada um dos Estados em particular, a ‘‘promover o estabelecimento e a manutenção da paz e da segurança internacional com o mínimo dispêndio dos recursos humanos e económicos mundiais para os armamentos'' (art. 26)».
 
Uma tal conjuntura, longe de facilitar, obstaculiza seriamente a consecução dos grandes objectivos de desenvolvimento da comunidade internacional. Além disso, um excessivo aumento da despesa militar corre o risco de acelerar uma corrida aos armamentos que provoca faixas de subdesenvolvimento e desespero, transformando-se assim, paradoxalmente, em factor de instabilidade, tensão e conflito. Como sensatamente afirmou o meu venerado antecessor Paulo VI, «o desenvolvimento é o novo nome da paz». Por isso, os Estados são chamados a fazer uma séria reflexão sobre as razões mais profundas dos conflitos, frequentemente atiçados pela injustiça, e a tomar providências com uma corajosa autocrítica. Se se chegar a uma melhoria das relações, isso deverá consentir uma redução das despesas para armamentos. Os recursos poupados poderão ser destinados para projectos de desenvolvimento das pessoas e dos povos mais pobres e necessitados: o esforço despendido em tal direcção é um serviço à paz no seio da família humana.
 
7. Quinto âmbito na referida luta contra a pobreza material diz respeito à crise alimentar actual, que põe em perigo a satisfação das necessidades de base. Tal crise é caracterizada não tanto pela insuficiência de alimento, como sobretudo pela dificuldade de acesso ao mesmo e por fenómenos especulativos e, consequentemente, pela falta de um reajustamento de instituições políticas e económicas que seja capaz de fazer frente às necessidades e às emergências. A má nutrição pode também provocar graves danos psicofísicos nas populações, privando muitas pessoas das energias de que necessitam para sair, sem especiais ajudas, da sua situação de pobreza. E isto contribui para alargar a distância angular das desigualdades, provocando reacções que correm o risco de tornar-se violentas. Todos os dados sobre o andamento da pobreza relativa nos últimos decénios indicam um aumento do fosso entre ricos e pobres. Causas principais de tal fenómeno são, sem dúvida, por um lado a evolução tecnológica, cujos benefícios se concentram na faixa superior da distribuição do rendimento, e por outro a dinâmica dos preços dos produtos industriais, que crescem muito mais rapidamente do que os preços dos produtos agrícolas e das matérias-primas na posse dos países mais pobres. Isto faz com que a maior parte da população dos países mais pobres sofra uma dupla marginalização, ou seja, em termos de rendimentos mais baixos e de preços mais altos.
 
Luta contra a pobreza e solidariedade global
 
8. Uma das estradas mestras para construir a paz é uma globalização que tenha em vista os interesses da grande família humana. Mas, para guiar a globalização é preciso uma forte solidariedade global entre países ricos e países pobres, como também no âmbito interno de cada uma das nações, incluindo ricas. É necessário um «código ético comum», cujas normas não tenham apenas carácter convencional mas estejam radicadas na lei natural inscrita pelo Criador na consciência de todo o ser humano (cf. Rm 2, 14-15). Porventura não sente cada um de nós, no íntimo da consciência, o apelo a dar a própria contribuição para o bem comum e a paz social? A globalização elimina determinadas barreiras, mas isto não significa que não possa construir outras novas; aproxima os povos, mas a proximidade geográfica e temporal não cria, de per si, as condições para uma verdadeira comunhão e uma paz autêntica. A marginalização dos pobres da terra só pode encontrar válidos instrumentos de resgate na globalização, se cada homem se sentir pessoalmente atingido pelas injustiças existentes no mundo e pelas violações dos direitos humanos ligadas com elas. A Igreja, que é «sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano», continuará a dar a sua contribuição para que sejam superadas as injustiças e incompreensões e se chegue a construir um mundo mais pacífico e solidário.
 
9. No campo do comércio internacional e das transacções financeiras, temos hoje em acção processos que permitem integrar positivamente as economias, contribuindo para o melhoramento das condições gerais; mas há também processos de sentido oposto, que dividem e marginalizam os povos, criando perigosas premissas para guerras e conflitos. Nos decénios posteriores à segunda guerra mundial, o comércio internacional de bens e serviços cresceu de forma extraordinariamente rápida, com um dinamismo sem precedentes na história. Grande parte do comércio mundial interessou os países de antiga industrialização, vindo significativamente juntar-se-lhes muitos países que sobressaíram tornando-se relevantes. Mas há outros países de rendimento baixo que estão ainda gravemente marginalizados dos fluxos comerciais. O seu crescimento ressentiu-se negativamente com a rápida descida verificada, nos últimos decénios, nos preços dos produtos primários, que constituem a quase totalidade das suas exportações. Nestes países, em grande parte africanos, a dependência das exportações de produtos primários continua a constituir um poderoso factor de risco. Quero reiterar aqui um apelo para que todos os países tenham as mesmas possibilidades de acesso ao mercado mundial, evitando exclusões e marginalizações.
 
10. Idêntica reflexão pode fazer-se a propósito do mercado financeiro, que toca um dos aspectos primários do fenómeno da globalização, devido ao progresso da electrónica e às políticas de liberalização dos fluxos de dinheiro entre os diversos países. A função objectivamente mais importante do mercado financeiro, que é a de sustentar a longo prazo a possibilidade de investimentos e consequentemente de desenvolvimento, aparece hoje muito frágil: sofre as consequências negativas de um sistema de transacções financeiras – a nível nacional e global – baseadas sobre uma lógica de brevíssimo prazo, que busca o incremento do valor das actividades financeiras e se concentra na gestão técnica das diversas formas de risco. A própria crise recente demonstra como a actividade financeira seja às vezes guiada por lógicas puramente auto-referenciais e desprovidas de consideração pelo bem comum a longo prazo. O nivelamento dos objectivos dos operadores financeiros globais para o brevíssimo prazo reduz a capacidade de o mercado financeiro realizar a sua função de ponte entre o presente e o futuro: apoio à criação de novas oportunidades de produção e de trabalho a longo prazo. Uma actividade financeira confinada no breve e brevíssimo prazo torna-se perigosa para todos, inclusivamente para quem consegue beneficiar dela durante as fases de euforia financeira.
 
11. Segue-se de tudo isto que a luta contra a pobreza requer uma cooperação nos planos económico e jurídico que permita à comunidade internacional e especialmente aos países pobres individuarem e actuarem soluções coordenadas para enfrentar os referidos problemas através da realização de um quadro jurídico eficaz para a economia. Além disso, requer estímulos para se criarem instituições eficientes e participativas, bem como apoios para lutar contra a criminalidade e promover uma cultura da legalidade. Por outro lado, não se pode negar que, na origem de muitos falimentos na ajuda aos países pobres, estão as políticas vincadamente assistencialistas. Investir na formação das pessoas e desenvolver de forma integrada uma cultura específica da iniciativa parece ser actualmente o verdadeiro projecto a médio e longo prazo. Se as actividades económicas precisam de um contexto favorável para se desenvolver, isto não significa que a atenção se deva desinteressar dos problemas do rendimento. Embora se tenha oportunamente sublinhado que o aumento do rendimento pro capite não pode de forma alguma constituir o fim da acção político-económica, todavia não se deve esquecer que o mesmo representa um instrumento importante para se alcançar o objectivo da luta contra a fome e contra a pobreza absoluta. Deste ponto de vista, seja banida a ilusão de que uma política de pura redistribuição da riqueza existente possa resolver o problema de maneira definitiva. De facto, numa economia moderna, o valor da riqueza depende em medida determinante da capacidade de criar rendimento presente e futuro. Por isso, a criação de valor surge como um elo imprescindível, que se há-de ter em conta se se quer lutar contra a pobreza material de modo eficaz e duradouro.
 
12. Colocar os pobres em primeiro lugar implica, finalmente, que se reserve espaço adequado para uma correcta lógica económica por parte dos agentes do mercado internacional, uma correcta lógica política por parte dos agentes institucionais e uma correcta lógica participativa capaz de valorizar a sociedade civil local e internacional. Hoje os próprios organismos internacionais reconhecem o valor e a vantagem das iniciativas económicas da sociedade civil ou das administrações locais para favorecer o resgate e a integração na sociedade daquelas faixas da população que muitas vezes estão abaixo do limiar de pobreza extrema mas, ao mesmo tempo, dificilmente se consegue fazer-lhes chegar as ajudas oficiais. A história do progresso económico do século XX ensina que boas políticas de desenvolvimento são confiadas à responsabilidade dos homens e à criação de positivas sinergias entre mercados, sociedade civil e Estados. Particularmente a sociedade civil assume um papel crucial em todo o processo de desenvolvimento, já que este é essencialmente um fenómeno cultural e a cultura nasce e se desenvolve nos diversos âmbitos da vida civil.
 
13. Como observava o meu venerado antecessor João Paulo II, a globalização «apresenta-se com uma acentuada característica de ambivalência», pelo que há-de ser dirigida com clarividente sabedoria. Faz parte de tal sabedoria ter em conta primariamente as exigências dos pobres da terra, superando o escândalo da desproporção que se verifica entre os problemas da pobreza e as medidas predispostas pelos homens para os enfrentar. A desproporção é de ordem tanto cultural e política como espiritual e moral. De facto, tais medidas detêm-se frequentemente nas causas superficiais e instrumentais da pobreza, sem chegar às que se abrigam no coração humano, como a avidez e a estreiteza de horizontes. Os problemas do desenvolvimento, das ajudas e da cooperação internacional são às vezes enfrentados sem um verdadeiro envolvimento das pessoas, mas apenas como questões técnicas que se reduzem à preparação de estruturas, elaboração de acordos tarifários, atribuição de financiamentos anónimos. Inversamente, a luta contra a pobreza precisa de homens e mulheres que vivam profundamente a fraternidade e sejam capazes de acompanhar pessoas, famílias e comunidades por percursos de autêntico progresso humano.
 
Conclusão
 
14. Na Encíclica Centesimus annus, João Paulo II advertia para a necessidade de «abandonar a mentalidade que considera os pobres – pessoas e povos – como um fardo e como importunos maçadores, que pretendem consumir tudo o que os outros produziram ». «Os pobres – escrevia ele – pedem o direito de participar no usufruto dos bens materiais e de fazer render a sua capacidade de trabalho, criando assim um mundo mais justo e mais próspero para todos». No mundo global de hoje, resulta de forma cada vez mais evidente que só é possível construir a paz, se se assegurar a todos a possibilidade de um razoável crescimento: de facto, as consequências das distorções de sistemas injustos, mais cedo ou mais tarde, fazem-se sentir sobre todos. Deste modo, só a insensatez pode induzir a construir um palácio dourado, tendo porém ao seu redor o deserto e o degrado. Por si só, a globalização não consegue construir a paz; antes, em muitos casos, cria divisões e conflitos. A mesma põe a descoberto sobretudo uma urgência: a de ser orientada para um objectivo de profunda solidariedade que aponte para o bem de cada um e de todos. Neste sentido, a globalização há-de ser vista como uma ocasião propícia para realizar algo de importante na luta contra a pobreza e colocar à disposição da justiça e da paz recursos até agora impensáveis.
 
15. Desde sempre se interessou pelos pobres a doutrina social da Igreja. Nos tempos da Encíclica Rerum novarum, pobres eram sobretudo os operários da nova sociedade industrial; no magistério social de Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, novas pobrezas foram vindo à luz à medida que o horizonte da questão social se alargava até assumir dimensões mundiais. Este alargamento da questão social à globalidade não deve ser considerado apenas no sentido duma extensão quantitativa mas também dum aprofundamento qualitativo sobre o homem e as necessidades da família humana. Por isso a Igreja, ao mesmo tempo que segue com atenção os fenómenos actuais da globalização e a sua incidência sobre as pobrezas humanas, aponta os novos aspectos da questão social, não só em extensão mas também em profundidade, no que se refere à identidade do homem e à sua relação com Deus. São princípios de doutrina social que tendem a esclarecer os vínculos entre pobreza e globalização e a orientar a acção para a construção da paz. Dentre tais princípios, vale a pena recordar aqui, de modo particular, o «amor preferencial pelos pobres», à luz do primado da caridade testemunhado por toda a tradição cristã a partir dos primórdios da Igreja (cf. Act 4, 32-37; 1 Cor 16, 1; 2 Cor 8-9; Gal 2, 10).
 
«Cada um entregue-se à tarefa que lhe incumbe com a maior diligência possível» – escrevia em 1891 Leão XIII, acrescentando: «Quanto à Igreja, a sua acção não faltará em nenhum momento». Esta consciência acompanha hoje também a acção da Igreja em favor dos pobres, nos quais vê Cristo, sentindo ressoar constantemente em seu coração o mandato do Príncipe da paz aos Apóstolos: «Vos date illis manducare – dai-lhes vós mesmos de comer» (Lc 9, 13). Fiel a este convite do seu Senhor, a Comunidade Cristã não deixará, pois, de assegurar o seu apoio à família humana inteira nos seus impulsos de solidariedade criativa, tendentes não só a partilhar o supérfluo, mas sobretudo a alterar «os estilos de vida, os modelos de produção e de consumo, as estruturas consolidadas de poder que hoje regem as sociedades». Assim, a cada discípulo de Cristo bem como a toda a pessoa de boa vontade, dirijo, no início de um novo ano, um caloroso convite a alargar o coração às necessidades dos pobres e a fazer tudo o que lhe for concretamente possível para ir em seu socorro. De facto, aparece como indiscutivelmente verdadeiro o axioma «combater a pobreza é construir a paz».
 
Vaticano, 8 de Dezembro de 2008.

 

BENEDICTUS PP. XVI

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«Dá "toda" a glória a Deus. - "Espreme" com a tua vontade, ajudado pela graça, cada uma das tuas acções, para que nelas não fique nada que cheire a humana soberba, a complacência do teu "eu".» São Josemaría Escrivá – Caminho, 784 O ‘Spe Deus’ tem evidentemente um autor que normalmente assina JPR e que caso se justifique poderá assinar com o seu nome próprio, mas como o verdadeiramente importante é Deus na sua forma Trinitária, a Virgem Santíssima, a Igreja Católica e os seus ensinamentos, optou-se pela discrição.
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