«Creio para compreender e compreendo para crer melhor» (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9) (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9)

27
Dez 10
publicado por spedeus às 00:02

João, filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, de profissão pescador, originário de Betsaida, como Pedro e André, ocupa um lugar de primeiro plano no elenco dos apóstolos. O autor do quarto Evangelho e do Apocalipse, será classificado pelo Sinédrio como indouto e inculto. No entanto, o leitor, mesmo que leia superficialmente os seus escritos, percebe não só o arrojo do pensamento, mas também a capacidade de revestir com criativas imagens literárias os sublimes pensamentos de Deus. A voz do juiz divino é como o mugido de muitas águas.

 

João é sempre o homem da elevação espiritual, mais inclinado à contemplação que à acção. É a águia que desde o primeiro bater das asas se eleva às vertiginosas alturas do mistério trinitário:"No princípio de tudo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e ele mesmo era Deus."

 

Ele está entre os mais íntimos de Jesus e nas horas mais solenes de sua vida João está perto. Está a seu lado na hora da ceia, durante o processo, e único entre os apóstolos, assiste à sua morte junto com Maria. Mas contrariamente a tudo o que possam fazer pensar as representações da arte, João não era um homem fantasioso e delicado. Bastaria o apelido humorista que o Mestre impôs a ele e a seu irmão Tiago: "Filhos do trovão" para nos indicar um temperamento vivaz e impulsivo, alheio a compromissos e hesitações, até aparecendo intolerante e cáustico.

 

No seu Evangelho designa a si mesmo simplesmente como "o discípulo a quem Jesus amava." Também se não nos é dado indagar sobre o segredo desta inefável amizade, podemos adivinhar uma certa analogia entre a alma do Filho do homem e a do filho do trovão, pois Jesus veio à terra não só trazer a paz mas também o fogo. Após a ressurreição, João está quase constantemente ao lado de Pedro. Paulo, na epístola aos gálatas, fala de Pedro, Tiago e João como colunas na Igreja.

 

No Apocalipse, João diz que foi perseguido e degredado para a ilha de Patmos "por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo". Conforme uma tradição unânime ele viveu em Éfeso em companhia de Maria e sob o imperador Domiciano foi colocado dentro de uma caldeira com óleo a ferver, mas saiu ileso e todavia com a glória de ter dado testemunho. Depois do exílio de Patmos voltou definitivamente para Éfeso, onde exortava continuamente os fiéis ao amor fraterno, resultando em três cartas, acolhidas entre os textos sagrados, assim como o Apocalipse e o Evangelho. Morreu carregado de anos em Éfeso durante o império de Trajano (98-117), onde foi sepultado.

 

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

publicado por spedeus às 00:01

Bento XVI

Audiência geral de 9/8/06 (trad. DC n° 2365, p. 821 © Libreria Editrice Vaticana)

 

O ensinamento do apóstolo São João

 

Se existe um assunto característico que mais sobressai nos escritos de João, é o amor. [...] Certamente João não é o único autor das origens cristãs que fala do amor. Sendo este um elemento essencial do cristianismo, todos os escritores do Novo Testamento falam dele, mesmo se com acentuações diferentes. Se agora nos detemos a reflectir sobre este tema em João, é porque ele nos traçou com insistência e de modo incisivo as suas linhas principais. Portanto, confiemo-nos às suas palavras.

 

Uma coisa é certa: ele não reflecte de modo abstracto, filosófico, ou até teológico, sobre o que é o amor. Não, ele não é um teórico. De facto, o verdadeiro amor, por sua natureza, nunca é meramente especulativo, mas faz referência directa, concreta e verificável, a pessoas reais. Pois bem, João, como apóstolo e amigo de Jesus mostra-nos quais são os componentes, ou melhor, as fases do amor cristão, um movimento que é caracterizado por três momentos.

 

O primeiro refere-se à própria Fonte do amor, que o Apóstolo coloca em Deus, chegando [...] a afirmar que «Deus é amor» (1 Jo 4, 8.16). João é o único autor do Novo Testamento que nos dá uma espécie de definição de Deus. Ele diz, por exemplo, que «Deus é Espírito» (Jo 4, 24) ou que «Deus é luz» (1 Jo 1, 5). Aqui proclama com intuição resplandecente que «Deus é amor». Observe-se bem: não é simplesmente afirmado que «Deus ama», nem sequer que «o amor é Deus»! Por outras palavras: João não se limita a descrever o agir divino, mas procede até às suas raízes. Além disso, não pretende atribuir uma qualidade a um amor genérico e talvez impessoal; não se eleva do amor até Deus, mas dirige-se directamente a Deus para definir a Sua natureza com a dimensão infinita do amor. Com isto João deseja dizer que a componente essencial de Deus é o amor e, portanto, que toda a actividade de Deus nasce do amor e está orientada para o amor: tudo o que Deus faz é por amor, mesmo se nem sempre podemos compreender imediatamente que Ele é amor, o verdadeiro amor.

 

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

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São João 20,2-8

 

2 Correu então, e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo a quem Jesus amava, e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram».3 Partiu, pois, Pedro com o outro discípulo e foram ao sepulcro.4 Corriam ambos juntos, mas o outro discípulo corria mais do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.5 Tendo-se inclinado, viu os lençóis no chão, mas não entrou.6 Chegou depois Simão Pedro, que o seguia, entrou no sepulcro e viu os lençóis postos no chão,7 e o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus, que não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte.8 Entrou também, então, o outro discípulo que tinha chegado primeiro ao sepulcro. Viu e acreditou.

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26
Dez 10

Jesus nasceu numa gruta em Belém, diz a Escritura, "porque não havia lugar para eles na estalagem". Não me afasto da verdade teológica, se te disser que Jesus ainda está à procura de pousada no teu coração.

 

(São Josemaría Escrivá - Forja, 274)

 

Não me afasto da mais rigorosa verdade se vos digo que Jesus continua agora a buscar pousada no nosso coração. Temos de Lhe pedir perdão pela nossa cegueira pessoal, pela nossa ingratidão. Temos de Lhe pedir a graça de nunca mais Lhe fechar a porta das nossas almas.

 

O Senhor não nos oculta que a obediência rendida à vontade de Deus exige renúncia e entrega porque o amor não pede direitos: quer servir. Ele percorreu primeiro o caminho. Jesus, como obedecestes Tu? Usque ad mortem, mortem autem crucis, até à morte e morte de Cruz. É preciso sair de nós mesmos, complicar a vida, perdê-la por amor de Deus e das almas... Tu querias viver e que nada te acontecesse; mas Deus quis outra coisa... Existem duas vontades: a tua vontade deve ser corrigida para se identificar com a vontade de Deus, e não torcida a de Deus para se acomodar à tua.

 

Com alegria, tenho visto muitas almas que jogaram a vida – como Tu, Senhor, "usque ad mortem"! – para cumprir o que a vontade de Deus lhes pedia, dedicando os seus esforços e o seu trabalho profissional ao serviço da Igreja, pelo bem de todos os homens.

 

Aprendamos a obedecer, aprendamos a servir. Não há maior fidalguia do que entregar-se voluntariamente ao serviço dos outros. Quando sentimos o orgulho que referve dentro de nós, a soberba que nos leva a pensar que somos super-homens, é o momento de dizer que não, de dizer que o nosso único triunfo há-de ser o da humildade. Assim nos identificaremos com Cristo na Cruz, não aborrecidos ou inquietos, nem com mau humor, mas alegres, porque essa alegria, o esquecimento de nós mesmos, é a melhor prova de amor.

 

(São Josemaría Escrivá - Cristo que passa, 19)

publicado por spedeus às 21:00

Três dias antes do Natal, assistia calmamente ao Telejornal da RTP1 quando vi a grande notícia da noite. Entre os atentados em Bagdade e as agências de rating, uma voz off anuncia o que as câmaras filmam: o presidente da maior empresa pública portuguesa a levar dois saquinhos de papel com roupa usada e um brinquedinho (usado) para uns caixotes de cartão, cheios de coisas usadas para oferecer no Natal. Fiquei comovida. Que imagem de boa pessoa, que gesto bonito: pegar num fatinho usado do seu guarda-vestidos que deve ter uns 200 e num pequeno brinquedo de peluche, e depositar tudo no caixote de cartão para posteriormente ser redistribuído? À administração da empresa? Não, a notícia explica que é para oferecer aos pobrezinhos, que estão a aumentar com a crise. A RTP, Telejornal à hora nobre, filma o comovente gesto. Em off, o locutor explica o sentido dizendo que alguém vai ter no sapatinho um fato de marca. Olhando para os sacos de papel, percebe-se que esse alguém também receberá umas meias usadas e talvez mesmo uma camisa de marca usada.

 

Primeiro, pensei que estava a dormir e um pesadelo me fizera voltar ao tempo de Salazar, à RTP a preto e branco ou à série da Rita Blanco «Conta-me como foi».

 

Mas não, eu estava acordada e a ver o presidente da EDP no Telejornal da RTP 1 (podem ver o filme na net) posar sorridente para as câmaras, a levar um saquinho a um caixote, que não era de lixo, mas de oferta. Por acaso, estava à porta da EDP a RTP a filmar o gesto. Iam a passar e filmaram, certamente, porque para os pobres os fatos em segunda mão de marca assentam como uma luva. Um velhinho num lar de Vila Real vestido Rosa & Teixeira sempre é outra coisa. Ou o homeless na sopa dos pobres com Boss faz outra figura, ou o desempregado com Armani numa entrevista do fundo de desemprego... Mentalidade herdada do Estado Novo, foi a minha primeira análise, teorizando imediatamente que os ricos em Portugal, os que recebem prémios de milhões em empresas públicas e ordenados escandalosos e que puseram o mundo e o país como se vê, são os mesmos com a mesma mentalidade salazarenta. Mas nem é verdade, pois, mesmo nesse tempo, as senhoras do regime organizavam enxovais novos nas aulas de lavores do meu liceu para dar no Natal aos pobres que iam nascer.

 

Tantos assessores de imprensa na EDP, tantos assessores na Fundação EDP, milhões de euros gastos em geniais campanhas de marketing, tantas cabeças inteligentes diariamente pagas para vender a imagem do presidente da EDP, tudo pago a preço de ouro, e não concebem nada melhor do que mandar (!?) filmar, no espaço do Telejornal mais importante do país, um gesto indigno, triste, lamentável, que envergonha quem vê. Não têm vergonha? Não coraram? E a RTP que critérios usa no Telejornal para incluir uma notícia?

 

Há uns meses escrevi ao presidente da EDP e telefonei-lhe mesmo, a pedir ajuda da empresa para reparar a velha instalação eléctrica, gasta pelo uso e pelo tempo, de uma instituição, onde vivem 40 adultas cegas e com deficiências e que têm um dos mais ricos patrimónios culturais do país. A instituição recebeu meses depois a resposta: a Fundação EDP esclarecia que esse pedido não se enquadrava nas suas atribuições. Agora percebi. Pedia-se fios eléctricos, quadros eléctricos novos e lâmpadas novas. Devia-se ter escrito ao senhor presidente da maior empresa (pública) portuguesa, com os maiores prémios de desempenho, cujo vencimento é superior ao do presidente dos Estados Unidos, para que oferecesse uma lâmpada em segunda mão, que ainda acendesse e desse alguma luz. Talvez assim mandasse um dos seus motoristas, com um dos geniais assessores de imprensa e um dos fantásticos directores de marketing, avisar a RTP (a quem pagamos uma taxa na factura da luz) para virem filmar a entrega da lâmpada num saquinho de papel.

 

2011 anuncia-se um ano duro para os portugueses e sê-lo-á tanto mais quanto os responsáveis pelo estado a que se chegou não saírem da nossa frente.

 

Zita Seabra

 

(Fonte: JN online)

publicado por spedeus às 19:58

publicado por spedeus às 18:00

strong>Enquanto a Sagrada Família descansa, aparece o Anjo a José, para que fujam para o Egipto. Maria e José pegam no Menino e empreendem a caminhada sem demora. Não se revoltam, não se desculpam, não esperam que a noite termine...

publicado por spedeus às 15:24

Os atentados de Natal, numa igreja católica das Filipinas e outros ataques a igrejas cristãs da Nigéria foram evocados pelo Papa neste domingo ao meio-dia, por ocasião do Angelus, com milhares de fiéis congregados na Praça de São Pedro e muitos que o seguiam através da rádio e da televisão. Juntamente com os seus pêsames, Bento XVI renovou um apelo a que se abandone o caminho do ódio.

 

“Foi com grande tristeza que tomei conhecimento do atentado a uma igreja católica das Filipinas, quando se celebrava o rito do Natal, como também do ataque a igrejas cristãs da Nigéria. E também noutras partes do mundo, como no Paquistão, a terra voltou a ser manchada de sangue.

Desejo exprimir as minhas sentidas condolências pelas vítimas destas violências absurdas e renovo uma vez mais o apelo a abandonar o caminho do ódio para encontrar soluções pacíficas dos conflitos e para dar segurança e serenidade às caras populações.


Neste dia em que celebramos a Sagrada Família, que viveu a dramática experiência de ter que fugir para o Egipto por causa da fúria homicida de Herodes, recordemos também todos os que - em particular as famílias que são constrangidas a abandonar as próprias casas por causa da guerra, da violência e da intolerância.


Convido-vos, portanto a unirdes-vos a mim na oração para pedir intensamente ao Senhor que toque os corações dos homens e lhes traga esperança, reconciliação e paz”.

 

Na sua alocução antes do Angelus, Bento XVI reflectiu sobre a Sagrada Família, que a Igreja celebra neste domingo, convidando a contemplar o menino Jesus, no presépio, objecto do afecto e das atenções dos seus pais. “Na pobre gruta de Belém (escrevem os Padres da Igreja) resplandece uma luz vivíssima, reflexo do profundo mistério que envolve este Menino e que Maria e José acolhem no seu coração e deixam transparecer nos seus olhares, nos gestos, sobretudo nos seus silêncios. De facto, eles conservam no íntimo as palavras do anúncio do anjo a Maria: “aquele que vai nascer será chamado Filho de Deus”.

 

O nascimento de cada criança traz consigo algo deste mistério, como bem o sabem os pais que falam do “dom” que um filho para eles representa. “De facto, os seres humanos vivem a procriação, não como um mero acto reprodutivo, mas advertem a sua riqueza, intuem que em cada criatura humana que surge na terra é o ‘sinal’ por excelência do Criador e Pai que está nos céus. Como é importante, assim, que cada criança, ao vir ao mundo, seja acolhida pelo calor de uma família”.

 

E o que mais interessa não são as comodidades exteriores. “Jesus nasceu num estábulo, tendo como berço uma manjedoura, mas o amor de Maria e de José fizeram-lhe sentir a ternura e beleza de sermos amados”. “É disto que têm necessidade as crianças: do amor do pai e da mãe. É isto que lhes dá segurança e que, no crescimento, permite descobrir o sentido da vida”.

 

Não obstante as muitas provações por que passou a santa Família de Nazaré, incluindo o ter que imigrar para o Egipto – observou o Papa – confiando na divina Providência, eles conseguiram a sua estabilidade e asseguraram a Jesus uma infância serena e uma sólida educação”. “Confiemos a Nossa Senhora e a São José todas as famílias, para que não desanimem perante as provações e dificuldades, mas cultivem o amor conjugal e se dediquem confiadamente ao serviço da vida e da educação”.

 

(Fonte: site Rádio Vaticano)

publicado por spedeus às 14:45

“Sugere-lhes o heroísmo de fazer com perfeição as pequenas coisas de cada dia, como se de cada uma delas dependesse a salvação do mundo”, deixa escrito.

 

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

publicado por spedeus às 10:45

publicado por spedeus às 00:01

publicado por spedeus às 00:00

25
Dez 10
publicado por spedeus às 21:27

Natal. Cantam: "venite, venite...". – Vamos, que Ele já nasceu. E, depois de contemplar como Maria e José cuidam do Menino, atrevo-me a sugerir-te: – Olha-o de novo, olha-o sem descanso.

 

(São Josemaría Escrivá - Forja, 549)

 

Foi promulgado um édito de César Augusto, que manda recensear toda a gente. Para isso, cada qual tem de ir à terra dos seus antepassados. – Como José é da casa e da família de David, vai com a Virgem Maria, de Nazaré até à cidade chamada Belém, na Judeia (Lc II, 1–5).

 

E, em Belém, nasce o nosso Deus: Jesus Cristo! Não há lugar na pousada: num estábulo. – E Sua Mãe envolve-O em paninhos e reclina-O no presépio (Lc 11, 7) . Frio. – Pobreza. – Sou um escravozito de José. – Que bom é José! Trata-me como um pai a seu filho. – Até me perdoa, se estreito o Menino entre os meus braços e fico, horas e horas, a dizer-Lhe coisas doces e ardentes!...

 

E beijo-O – beija-O tu – e embalo-O e canto para Ele e chamo-Lhe Rei, Amor, meu Deus, meu Único, meu Tudo!... Que lindo é o Menino... e que curta a dezena!

 

(São Josemaría Escrivá - Santo Rosário, 3º mistério Gozoso)

publicado por spedeus às 21:00

publicado por spedeus às 17:24

«Verbum caro factum est – o Verbo fez-Se carne» (Jo 1, 14).

 

Queridos irmãos e irmãs, que me ouvis em Roma e no mundo inteiro, é com alegria que vos anuncio a mensagem do Natal: Deus fez-Se homem, veio habitar no meio de nós. Deus não está longe: está perto, mais ainda, é o «Emanuel», Deus-connosco. Não é um desconhecido: tem um rosto, o rosto de Jesus.

Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender, porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um facto sucedido, que testemunhas credíveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de Nazaré! Permanecendo com Ele, observando os seus actos e escutando as suas palavras, reconheceram em Jesus o Messias; e, ao vê-Lo ressuscitado, depois que fora crucificado, tiveram a certeza de que Ele, verdadeiro homem, era simultaneamente verdadeiro Deus, o Filho unigénito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (cf. Jo 1, 14).

 

«O Verbo fez-Se carne». Fitando esta revelação, ressurge uma vez mais em nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e omnipotente tornar-se um homem frágil e mortal? Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo.

 

Na realidade, Deus não muda: mantém-se fiel a Si mesmo. Aquele que criou o mundo é o mesmo que chamou Abraão e revelou o seu próprio Nome a Moisés: Eu sou Aquele que sou… o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob… Deus misericordioso e compassivo, cheio de amor e fidelidade (cf. Ex 3, 14-15; 34, 6). Deus não muda: Ele é Amor, desde sempre e para sempre. Em Si mesmo, é Comunhão, Unidade na Trindade, e cada obra e palavra sua tem em vista a comunhão. A encarnação é o ápice da criação. Quando no ventre de Maria, pela vontade do Pai e a acção do Espírito Santo, se formou Jesus, Filho de Deus feito homem, a criação atingiu o seu vértice. O princípio ordenador do universo, o Logos, começava a existir no mundo, num tempo e num espaço.

 

«O Verbo fez-Se carne». A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé, porque é um mistério de amor. Somente aqueles que se abrem ao amor, são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje também. A encarnação do Filho de Deus é um acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a. Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o «sim» do nosso coração.

 

E que procura, efectivamente, o nosso coração, senão uma Verdade que seja Amor? Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a existência terrena.

 

«O Verbo fez-Se carne». O anúncio do Natal é luz também para os povos, para o caminho colectivo da humanidade. O «Emanuel», Deus-connosco, veio como Rei de justiça e de paz. O seu Reino – bem o sabemos – não é deste mundo, e todavia é mais importante do que todos os reinos deste mundo. É como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum, para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela justiça. Acreditar em Deus que quis compartilhar a nossa história, é um constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das suas contradições; é motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio para libertar o homem da raiz de toda a escravidão.

 

A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e inspire Israelitas e Palestinianos na busca duma convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provas as queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Médio Oriente, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando os Responsáveis das nações a uma efectiva solidariedade para com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto devastador e com a recente epidemia de cólera. Igualmente não sejam esquecidos aqueles que, na Colômbia e na Venezuela mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram recentemente calamidades naturais.

 

O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfur e da Costa do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a reconciliação na Península Coreana.

 

A celebração do nascimento do Redentor reforce o espírito de fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental, para que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama da esperança. O amor do «Deus-connosco» dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos.

 

Queridos irmãos e irmãs, «o Verbo fez-Se carne», veio habitar no meio de nós, é o Emanuel, o Deus que Se aproximou de nós. Contemplemos, juntos, este grande mistério de amor; deixemos o coração iluminar-se com a luz que brilha na gruta de Belém! Boas-festas de Natal para todos!

 

(Fonte: site Rádio Vaticano)

publicado por spedeus às 17:05

«Tu és meu filho, Eu hoje te gerei» – com estas palavras do Salmo segundo, a Igreja dá início à liturgia da Noite Santa. Ela sabe que esta frase pertencia, originariamente, ao rito da coroação do rei de Israel. O rei, que por si só é um ser humano como os outros homens, torna-se «filho de Deus» por meio do chamamento e entronização na sua função: trata-se de uma espécie de adopção por parte de Deus, uma acta da decisão, pela qual Ele concede a este homem uma nova existência, atraindo-o para o seu próprio ser. De modo ainda mais claro, a leitura tirada do profeta Isaías, que acabámos de ouvir, apresenta o mesmo processo numa situação de tribulação e ameaça para Israel: «Um menino nasceu para nós, um filho nos foi concedido. Tem o poder sobre os ombros» (9, 5). A entronização na função régia é como um novo nascimento. E, precisamente como recém-nascido por decisão pessoal de Deus, como menino proveniente de Deus, o rei constitui uma esperança. O futuro assenta sobre os seus ombros. É o detentor da promessa de paz. Na noite de Belém, esta palavra profética realizou-se de um modo que, no tempo de Isaías, teria ainda sido inimaginável. Sim, agora Aquele sobre cujos ombros está o poder é verdadeiramente um menino. N’Ele aparece a nova realeza que Deus institui no mundo. Este menino nasceu verdadeiramente de Deus. É a Palavra eterna de Deus, que une mutuamente humanidade e divindade. Para este menino, são válidos os títulos de dignidade que lhe atribui o cântico de coroação de Isaías: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz (9, 5). Sim, este rei não precisa de conselheiros pertencentes aos sábios do mundo. Em Si mesmo traz a sapiência e o conselho de Deus. Precisamente na fragilidade de menino que é, Ele é o Deus forte e assim nos mostra, face aos pretensiosos poderes do mundo, a fortaleza própria de Deus.

 

Na verdade, as palavras do rito da coroação em Israel não passavam de palavras rituais de esperança, que de longe previam um futuro que haveria de ser dado por Deus. Nenhum dos reis, assim homenageados, correspondia à subliminidade de tais palavras. Neles, todas as expressões sobre a filiação de Deus, sobre a entronização na herança dos povos, sobre o domínio das terras distantes (Sal 2, 8) permaneciam apenas presságio de um futuro – como se fossem painéis sinalizadores da esperança, indicações apontando para um futuro que então era ainda inconcebível. Assim o cumprimento da palavra, que tem início na noite de Belém, é ao mesmo tempo imensamente maior e – do ponto de vista do mundo – mais humilde do que a palavra profética deixava intuir. É maior, porque este menino é verdadeiramente Filho de Deus, é verdadeiramente «Deus de Deus, Luz da Luz, gerado, não criado, consubstancial ao Pai». Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele «desceu» verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus-connosco. O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz. Em todo o lado onde ela é celebrada, temos uma ilha de paz, daquela paz que é própria de Deus. Este menino acendeu, nos homens, a luz da bondade e deu-lhes a força para resistir à tirania do poder. Em cada geração, Ele constrói o seu reino a partir de dentro, a partir do coração. Mas é verdade também que «o bastão do opressor» não foi quebrado. Também hoje marcha o calçado ruidoso dos soldados e temos ainda incessantemente a «veste manchada de sangue» (Is 9, 3-4). Assim faz parte desta noite o júbilo pela proximidade de Deus. Damos graças porque Deus, como menino, Se confia às nossas mãos, por assim dizer mendiga o nosso amor, infunde a sua paz no nosso coração. Mas este júbilo é também uma prece: Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de «uma paz sem fim» (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o «reino da justiça, do amor e da paz».

 

«Maria deu à luz o seu filho primogénito» (Lc 2, 7). Com esta frase, São Lucas narra, de modo absolutamente sóbrio, o grande acontecimento que as palavras proféticas, na história de Israel, tinham com antecedência vislumbrado. Lucas designa o menino como «primogénito». Na linguagem que se foi formando na Sagrada Escritura da Antiga Aliança, «primogénito» não significa o primeiro de uma série de outros filhos. A palavra «primogénito» é um título de honra, independentemente do facto se depois se seguem outros irmãs e irmãs ou não. Assim, no Livro do Êxodo, Israel é chamado por Deus «o meu filho primogénito» (Ex 4, 22), exprimindo-se deste modo a sua eleição, a sua dignidade única, o particular amor de Deus Pai. A Igreja nascente sabia que esta palavra ganhara uma nova profundidade em Jesus; que n’Ele estão compendiadas as promessas feitas a Israel. Assim a Carta aos Hebreus chama Jesus «o primogénito» simplesmente para O qualificar, depois das preparações no Antigo Testamento, como o Filho que Deus manda ao mundo (cf. Heb 1, 5-7). O primogénito pertence de maneira especial a Deus, e por isso – como sucede em muitas religiões – devia ser entregue de modo particular a Deus e resgatado com um sacrifício de substituição, como São Lucas narra no episódio da apresentação de Jesus no templo. O primogénito pertence a Deus de modo particular, é por assim dizer destinado ao sacrifício. No sacrifício de Jesus na cruz, realiza-se de uma forma única o destino do primogénito. Em Si mesmo, Jesus oferece a humanidade a Deus, unindo o homem e Deus de uma maneira tal que Deus seja tudo em todos. Paulo, nas Cartas aos Colossenses e aos Efésios, ampliou e aprofundou a ideia de Jesus como primogénito: Jesus – dizem-nos as referidas Cartas – é o primogénito da criação, o verdadeiro arquétipo segundo o qual Deus formou a criatura-homem. O homem pode ser imagem de Deus, porque Jesus é Deus e Homem, a verdadeira imagem de Deus e do homem. Ele é o primogénito dos mortos: dizem-nos ainda aquelas Cartas. Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogénito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro duma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rómulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus. Esta nova família de Deus começa no momento em que Maria envolve o «primogénito» em faixas e O reclina na manjedoura. Supliquemos-Lhe: Senhor Jesus, Vós que quisestes nascer como o primeiro de muitos irmãos, dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família.

 

No fim, o Evangelho de Natal narra-nos que uma multidão de anjos do exército celeste louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que Ele ama» (Lc 2, 14). A Igreja ampliou este louvor que os anjos entoaram à vista do acontecimento da Noite Santa, fazendo dele um hino de júbilo sobre a glória de Deus. «Nós Vos damos graças por vossa imensa glória». Nós Vos damos graças pela beleza, pela grandeza, pela bondade de Deus, que, nesta noite, se tornam visíveis para nós. A manifestação da beleza, do belo, torna-nos felizes sem que devamos interrogar-nos sobre a sua utilidade. A glória de Deus, da qual provém toda a beleza, faz explodir em nós o deslumbramento e a alegria. Quem vislumbra Deus, sente alegria; e, nesta noite, vemos algo da sua luz. Mas a mensagem dos anjos na Noite Santa também fala dos homens: «Paz aos homens que Ele ama». A tradução latina desta frase, que usamos na Liturgia e remonta a São Jerónimo, interpreta diversamente: «Paz aos homens de boa vontade». Precisamente nos últimos decénios, esta expressão «os homens de boa vontade» entrou de modo particular no vocabulário da Igreja. Mas qual é a tradução justa? Devemos ler, juntas, as duas versões; só assim compreendemos rectamente a frase dos anjos. Seria errada uma interpretação que reconhecesse apenas o agir exclusivo de Deus, como se Ele não tivesse chamado o homem a uma resposta livre e amorosa. Mas seria errada também uma resposta moralizante, segundo a qual o homem com a sua boa vontade poder-se-ia, por assim dizer, redimir a si próprio. As duas coisas andam juntas: graça e liberdade; o amor de Deus, que nos precede e sem o qual não O poderemos amar, e a nossa resposta, que Ele espera e até no-la suplica no nascimento do seu Filho. O entrelaçamento de graça e liberdade, o entrelaçamento de apelo e resposta não podemos dividi-lo em partes separadas uma da outra. Ambas estão indivisivelmente entrançadas entre si. Assim esta frase é simultaneamente promessa e apelo. Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça connosco. Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver paz na terra.

 

Lucas não disse que os anjos cantaram. Muito sobriamente, escreve que o exército celeste louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus nas alturas…» (Lc 2, 13-14). Mas desde sempre os homens souberam que o falar dos anjos é diverso do dos homens; e que, precisamente nesta noite da jubilosa mensagem, tal falar foi um canto no qual brilhou a glória sublime de Deus. Assim, desde o início, este canto dos anjos foi entendido como música vinda de Deus, mais ainda, como convite a unirmo-nos ao canto com o coração em júbilo pelo facto de sermos amados por Deus. Diz Santo Agostinho: Cantare amantis est – cantar é próprio de quem ama. Assim ao longo dos séculos, o canto dos anjos tornou-se sempre de novo um canto de amor e de júbilo, um canto daqueles que amam. Nesta hora, associemo-nos, cheios de gratidão, a este cantar de todos os séculos, que une céu e terra, anjos e homens. Sim, Senhor, nós Vos damos graças por vossa imensa glória. Nós Vos damos graças pelo vosso amor. Fazei que nos tornemos cada vez mais pessoas que amam juntamente convosco e, consequentemente, pessoas de paz. Amen.

 

(Fonte: site Rádio Vaticano)

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Santo Afonso Maria de Liguori (1696-1787), bispo e Doutor da Igreja

Meditações sobre a Oitava da Epifania, n° 3 (a partir da trad. Noël, Éds. Saint-Paul 1993, p. 309)

 

«Os que atentavam contra a vida do Menino»

 

Um anjo apareceu em sonhos a São José, e avisou-o de que Herodes andava à procura do Menino Jesus para Lhe tirar a vida: «Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egipto.» Assim pois, ainda mal nasceu, já Jesus é perseguido de morte. [...] José obedece sem demora à voz do anjo, acordando sua santa esposa. Pega em algumas ferramentas que pudesse levar consigo, a fim de exercer a sua profissão no Egipto e de ter com que sustentar a família. Maria, por seu turno, reúne as roupas necessárias a seu divino Filho; e depois, aproximando-se do berço onde Ele repousava, ajoelha-se, beija os pés de seu querido Filho e, por entre lágrimas de ternura, diz-Lhe: «Meu Filho e meu Deus, que vieste ao mundo para salvar os homens; ainda mal nasceste e já os homens vêm à Tua procura para Te dar a morte!» Pega Nele e, continuando a chorar, os dois santos esposos fecham a porta e põem-se a caminho durante a noite. [...]

 

Meu bem-amado Jesus, Tu és o Rei do Céu e vejo-Te errar como fugitivo sob a aparência de uma criança. Que procuras? Diz-me. A Tua pobreza e o Teu abaixamento emocionam-me de compaixão; mas aquilo que me aflige mais é a negra ingratidão com que Te vejo tratado por aqueles que vieste salvar. Tu choras, e também eu choro, por ter sido um daqueles que Te desprezaram e Te perseguiram; a partir de agora, porém, preferirei a Tua graça a todos os reinos do mundo.

 

Perdoa-me todos os ultrajes que Te fiz; permite-me que, na viagem desta vida para a eternidade, Te leve no meu coração, a exemplo de Maria, que Te levou nos seus braços durante a fuga para o Egipto. Meu Redentor bem-amado, foram muitas as vezes em que Te expulsei da minha alma, mas tenho confiança, agora que voltaste a tomar conta dela. E suplico-Te que a prendas a ti pelas doces correntes do Teu amor.

 

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

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São Mateus 2,13-15.19-23

 

13 Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: «Levanta-te, toma o Menino e Sua mãe, foge para o Egipto, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para O matar».14 ele, levantando-se de noite, tomou o Menino e Sua mãe, e retirou-se para o Egipto. 15 Lá esteve até à morte de Herodes, cumprindo-se deste modo o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta: “Do Egipto chamei o Meu filho”. 19 Morto Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egipto, 20 e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e Sua mãe, e vai para a terra de Israel, porque morreram os que procuravam tirar a vida ao Menino».21 Ele levantou-se, tomou o Menino e Sua mãe, e voltou para a terra de Israel. 22 Mas, ouvindo dizer que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá; e, avisado por Deus em sonhos, retirou-se para a região da Galileia, 23 e foi habitar numa cidade chamada Nazaré, cumprindo-se deste modo o que tinha sido anunciado pelos profetas: “Será chamado nazareno”.

publicado por spedeus às 12:00

Solenidade do Natal do Senhor. Mostram-lhe uma imagem do Menino Jesus de barro policromado. Depois de o tomar nas mãos, levanta-o ao ar, beija-o, acaricia-o, enquanto diz: “Meu lindo! Que bonito! Meu tesouro! Meu Menino…! Com este fico eu”. A fotografia mostra esse momento.

 

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

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publicado por spedeus às 00:03

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A história do Natal começou na véspera do nascimento de Jesus, quando, segundo nos testemunha a Bíblia, os anjos anunciaram a chegada do menino.

 

Oficialmente, faz agora 2010 anos. Nessa altura, o imperador Augusto determinou o registo de toda a população do Império Romano por causa dos impostos, tendo cada pessoa, para o efeito de inscrever na sua localidade.

 

Segundo o Novo Testamento, José partiu de Nazaré para Belém, para esse efeito, e levou com ele a sua esposa, Maria, que esperava um Filho. Ao longo da viagem, chegou a hora de Maria dar à luz, e como a cidade estava com os albergues completamente cheios, tiveram de pernoitar numa gruta. Foi nessa região da Judeia, que Jesus nasceu.

 

Diz a Bíblia que um Anjo desceu sobre os pastores que guardavam os seus rebanhos durante a noite e disse-lhes: «Deixai o que estais a fazer e vinde adorar o menino, que se encontra em Belém e é o vosso Redentor». Os pastores foram apressados, procurando o lugar indicado pelo Anjo, e lá encontraram Maria, José e o menino. Ao vê-lo, espalharam a boa nova.

 

Os primeiros registos da celebração do Natal têm origem na Turquia, a 25 de Dezembro, em meados do sec II.

 

No ano 350, o Papa Júlio I levou a efeito uma investigação pormenorizada e proclamou o dia 25 de Dezembro como data oficial e o Imperador Justiniano, em 529, declarou-o feriado nacional.

 

O período das festas alargou-se até à Epifania, ou seja vai desde 25 de Dezembro até 6 de Janeiro. O dia 6 de Janeiro é o chamado dia dos Reis Magos.

 

A religião Cristã foi, depois, abraçando toda a Europa, dando a conhecer a outros povos a celebração do Natal. Em Inglaterra, o primeiro arcebispo de Cantuária foi responsável pela celebração do Natal. Na Alemanha, foi reconhecido em 813, através do sínodo de Mainz. Na Noruega, pelo rei Hakon em meados de 900. E em finais do séc. IX, o Natal já era celebrado em toda a Europa.

 

Os Evangelhos de S. Lucas e S. Mateus relatam a história do nascimento de Jesus. Só que, ao contrário do que julgávamos, Jesus não teria nascido no Inverno e sim na Primavera ou no Verão - os pastores não guardariam os rebanhos nos montes com o rigor do Inverno...

 

Em relação à data do nascimento de Jesus, existem algumas dúvidas. A estrela que guiou os Magos até à gruta de Belém deu lugar a várias explicações.

 

Alguns cientistas afirmam que deverá ter sido um cometa. No entanto, nessa altura não há registo que algum cometa tivesse sido visto.

 

Outros dizem que, no ano 6 ou 7 a. C., houve um alinhamento dos planetas Júpiter e Saturno mas também não é muito credível, para que se considere esse o ano do nascimento de Jesus.

 

Por outro lado, a visita dos Reis Magos é comemorada 12 dias depois do Natal (Epifania) sendo tradicional festejar este acontecimento em pleno Inverno, a 6 de Janeiro.

 

De qualquer forma, para além da certeza histórica de uma data, é o mistério do Nascimento de Jesus Cristo que os cristãos celebram. E esse é eterno!

 

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

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São Basílio (c. 330-379), monge e bispo de Cesareia da Capadócia, Doutor da Igreja

Homilia sobre a santa concepção de Cristo, 2.6; PG 31, 1459s (a partir da trad. Delhougne, Les Pères commentent, p. 172 rev.)

 

«Deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus»

 

Deus na terra, Deus entre os homens! Desta vez, Ele não promulga a Sua Lei no meio dos relâmpagos, ao som da trombeta, numa montanha fumegante, na obscuridade de uma tempestade aterradora (Ex 19, 16ss.), mas recria-Se, de forma mansa e pacífica, num corpo humano, com os Seus irmãos de raça. Deus encarnado ! [...] Como pode a divindade viver na carne? Como o fogo subsiste no ferro, não deixando o local onde arde, mas comunicando-se-lhe. Com efeito, o fogo não se lança sobre o ferro mas, permanecendo no seu local, comunica-lhe o seu poder. Ao fazê-lo, não fica minimamente diminuído, mas preenche plenamente o ferro ao qual se comunica. Da mesma forma, Deus, o Verbo que «vive no meio de nós», não saiu de Si mesmo: «O Verbo que Se fez carne» não foi submetido à mudança; o céu não foi despojado d'Aquele que contém, e no entanto a terra acolhe no seu seio Aquele que está nos céus.

 

Apreende este mistério: Deus está na carne de forma a destruir a morte que nela se esconde. [...] Quando se «manifestou a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens» (Tt 2, 11), quando «brilhou o sol de justiça» (Ml 3, 20), «a morte foi tragada pela vitória» (1Co 15, 54) porque não podia coexistir com a verdadeira vida. Ó profundidade da bondade de Deus e do amor de Deus pelos homens! Demos glória com os pastores, dancemos com os coros dos anjos, porque «hoje nasceu o Salvador que é o Messias Senhor» (Lc 2, 11-12).

 

«O Senhor é Deus; Ele tem-nos iluminado» [Sl 118 (117), 27], não sob a Sua aparência de Deus, para não assustar a nossa fraqueza, mas sob a forma de um servo, a fim de conferir a liberdade àqueles que estavam condenados à servidão. Quem teria o coração suficientemente adormecido e indiferente para não exultar de alegria, para não irradiar felicidade, perante este acontecimento? É uma festa comum a toda a Criação. Todos devem contribuir para ela, ninguém se deve mostrar ingrato. Elevemos nós também a voz para cantar o nosso júbilo!

 

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

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São João 1,1-18

 

1 No princípio existia o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.2 Estava no princípio com Deus.3 Todas as coisas foram feitas por Ele; e sem Ele nada foi feito.4 N'Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens,5 e a luz resplandeceu nas trevas, mas as trevas não O receberam. 6 Apareceu um homem enviado por Deus que se chamava João.7 Veio como testemunha para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.8 Não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.9 O Verbo era a luz verdadeira, que vindo a este mundo ilumina todo o homem.10 Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, mas o mundo não O conheceu.11 Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam.12 Mas a todos os que O receberam, àqueles que crêem no Seu nome, deu poder de se tornarem filhos de Deus;13 eles que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14 E o Verbo fez-Se carne, e habitou entre nós; e nós vimos a Sua glória, glória como de Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.15 João dá testemunho d'Ele e clama: «Este era Aquele de Quem eu disse: O que há-de vir depois de mim é mais do que eu, porque existia antes de mim».16 Todos nós participamos da Sua plenitude, e recebemos graça sobre graça;17 porque a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade foram trazidas por Jesus Cristo.18 Ninguém jamais viu a Deus; o Unigénito de Deus, que está no seio do Pai, Ele mesmo é que O deu a conhecer.

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24
Dez 10
publicado por spedeus às 18:39

E, em Belém, nasce o nosso Deus: Jesus Cristo! Não há lugar na pousada: num estábulo. – E Sua Mãe envolve-O em paninhos e reclina-O no presépio (Lc 11, 7) . Frio. – Pobreza. – Sou um escravozito de José. – Que bom é José! Trata-me como um pai a seu filho. – Até me perdoa, se estreito o Menino entre os meus braços e fico, horas e horas, a dizer-Lhe coisas doces e ardentes!... E beijo-O – beija-O tu – e embalo-O e canto para Ele e chamo-Lhe Rei, Amor, meu Deus, meu Único, meu Tudo!... Que lindo é o Menino... e que curta a dezena!

 

(São Josemaría Escrivá - Santo Rosário, mistérios gozosos, 3)

 

Começa por estar nove meses no seio de sua Mãe, como qualquer outro homem, com extrema naturalidade. Sabia o Senhor de sobra que a Humanidade padecia de uma urgente necessidade d'Ele. Tinha, portanto, fome de vir à terra para salvar todas as almas; mas não precipita o tempo; vem na Sua hora, como chegam ao mundo os outros homens. Desde a concepção ao nascimento, ninguém, salvo S. José e Santa Isabel, adverte esta maravilha: Deus veio habitar entre os homens!

 

O Natal também está rodeado de uma simplicidade admirável: o Senhor vem sem aparato, desconhecido de todos. Na Terra, só Maria e José participam na divina aventura. Depois, os pastores, avisados pelos Anjos. E mais tarde os sábios do Oriente. Assim acontece o facto transcendente que une o Céu à Terra, Deus ao homem!

 

Como é possível tanta dureza de coração que cheguemos a acostumar-nos a estes episódios? Deus humilha-Se para que possamos aproximar-nos d'Ele, para que possamos corresponder ao seu Amor com o nosso amor, para que a nossa liberdade se renda, não só ante o espectáculo do seu poder, como também ante a maravilha da sua humildade.

 

Grandeza de um Menino que é Deus! O Seu Pai é o Deus que fez os Céus e a Terra, e Ele ali está, num presépio, quia non erat eis locus in diversorio, porque não havia outro sítio na Terra para o dono de toda a Criação!

 

(São Josemaría Escrivá - Cristo que passa, 18)

publicado por spedeus às 18:30

Os olhos bem abertos tentam rasgar a noite escura que tem à sua frente.

Ouve o silêncio da mata da Guiné, e aqui e ali o rápido crioulo, que sai de cada tabanca, onde os soldados já recolhidos, põe em dia a conversa.

Tudo naquele ambiente lhe nega o Natal!

 

As gotas de suor que teimam em descer da sua testa até ao pescoço, fruto do calor e da humidade insuportáveis, que o fazem estar a milhas de distância do frio da sua terra, que tão bem convida à lareira!

O copo de whisky na mão, uma mão cheia de caju, coisas que nada têm a ver com o vinho tinto encorpado da ceia de Natal, a acompanhar o peru recheado, ou o “eterno” e fiel amigo!

O silêncio avassalador da mata que o rodeia, o receio entranhado de que esta noite de Natal seja aproveitada para fazer uma festa, festa que nada tem a ver com a vida, mas apenas com a morte!

E aqueles homens que o rodeiam, “família” agora presente e obrigatória, tão dentro do seu coração como a outra, a sua, (que tão distante está), mas diferente, bem diferente nos hábitos e nas atitudes!

 

Não, esta não é decididamente uma noite de Natal!

 

Revolvem-se-lhe as entranhas do pensamento e da memória!

É a primeira vez, nos seus curtos vinte e dois anos, que passa o Natal fora da família.

Um nó apertado toma-lhe a garganta, e uma lágrima teimosa aparece nos seus olhos.

 

Não, não pode ser!

 

Que raio de homem seria, que raio de testemunho daria a todos aqueles que com ele vieram e nele confiam, nele vêem a esperança de regressar à família, ou dos outros que agora estão consigo e querem continuar com as suas famílias, nas suas tabancas, nas suas vidas.

 

Há que encontrar ânimo, razões para festejar a noite de Natal, visto que a fé adormecida, o afasta da espiritualidade em tempos vivida.

 

E as razões, encontra-as na terra onde está!

 

Afinal na sua terra agora distante faz frio para lareira, mas verdade é que Jesus Cristo nasceu em Belém, que é um lugar quente e húmido!

E os presépios fazem-se com musgo, o que, se não está enganado, é coisa que não existe onde Jesus nasceu!

E ainda mais, pois Jesus nasceu num curral segundo uns, ou numa gruta segundo outros, o que é bastante parecido com o abrigo em que agora vive!

 

Ah, afinal não está assim tão longe do Natal!

 

Um sorriso já lhe baila nos lábios! Já se sente mais feliz, mais em paz, mais em família, mais em Natal!

 

E depois… depois segundo se diz, “Natal é sempre que um homem quiser”, e ele decide entender isto como um convite a fazer a paz, a fazer o bem, a acolher e a dar-se, pois sempre que um homem assim faz, “faz-se Natal” também.

 

Sem pensar em mais nada, abraça com força e alegria os que estão ao seu lado, e depois vai de tabanca em tabanca, e grita bem alto lá para dentro:

 

- Feliz Natal, e paz aos homens de boa vontade!

 

Monte Real, 16 de Dezembro de 2010

 

Joaquim Mexia Alves

publicado por spedeus às 18:00

No meio da correria e actividade frenética que antecedem o Natal, queixamo-nos de o essencial passar ao lado. Mas como, habitualmente, Deus costuma andar longe da nossa vida - e da nossa acção - fica tudo reduzido à canseira das compras, à troca de presentes e aos excessos gastronómicos.

 

Tudo embrulhado em papel vistoso – claro - e típicas iluminações natalícias, de preferência, inócuas sem qualquer referência ao nascimento de Cristo.

 

Pois no Iraque é o oposto: não há iluminações nem decorações natalícias, nem sequer nas igrejas. E não haverá Missa do Galo em nenhuma igreja cristã de Bagdad, Mossul e Kirkuk. Esta noite, os cristãos que, corajosamente, ainda lá vivem, fecham-se em suas casas para celebrar o acontecimento decisivo que põe as suas vidas em risco: o nascimento do Salvador.

 

Com que emoção os nossos irmãos do Iraque acolherão esta noite o Deus menino que vem ao nosso encontro!... Ele que é a verdadeira beleza e a verdadeira luz e quer partilhar a nossa condição humana, em pobreza e simplicidade.

 

O presépio é disso que fala. Peçamos, pois, também para nós, aqui em Portugal, um coração disponível para acolher o amor infinito que vem ao nosso encontro.

 

Aura Miguel

 

(Fonte: ‘Página 1’, grupo RR, na sua edição de 21.12.2010)

publicado por spedeus às 17:53

Neste dia 24 de manhã, na rubrica diária radiofónica da BBC “Thought for the day” (“Pensamento para o dia”), o Papa Bento XVI pronunciou em inglês a seguinte mensagem de Natal:

 

“Recordando com grande enlevo a minha visita de quatro dias ao Reino Unido, em Setembro passado, é para mim uma alegria ter a oportunidade de vos dirigir de novo a minha saudação, mais ainda – de dirigir os meus votos de boas festas para todos os ouvintes, onde quer que se encontrem, quando nos aprestamos a celebrar o nascimento de Cristo.

 

O nosso pensamento concentra-se num momento da história em que o povo escolhido por Deus, os filhos de Israel, viviam uma intensa expectativa. Esperavam o Messias que Deus tinha prometido enviar, e descreviam-no como um grande chefe que os iria libertar do domínio estrangeiro, restituindo-lhes a liberdade.

 

Deus é sempre fiel às suas promessas, mas muitas vezes surpreende-nos pelo modo de as realizar. O menino nascido em Belém trouxe, sim, a libertação, mas não só para as pessoas daquele tempo e daquele lugar. Iria ser o Salvador de todos, em qualquer lugar do mundo e em qualquer tempo da história. E a libertação que ele trazia não era política, concretizada com meios militares: pelo contrário, Cristo destruiu a morte para sempre e renovou a vida por meio da sua morte ignominiosa, na cruz.

 

E embora tenha nascido na pobreza e no obscuridade, longe dos centros do poder terreno, ele era o próprio Filho de Deus. Por nosso amor, ele tomou sobre si a nossa condição humana, a nossa fragilidade, a nossa vulnerabilidade, e abriu para nós a via que leva à plenitude da vida, à participação na própria vida de Deus.

 

Ao mesmo tempo que meditamos nos nossos corações sobre este grande mistério, neste Natal, damos graças a Deus pela sua bondade para connosco, e anunciamos com alegria, a quem está à nossa volta, a boa nova de que deus oferece a liberdade de tudo aquilo que nos oprime: dá-nos esperança, traz-nos vida.

 

Caros amigos da Escócia, da Inglaterra, do País de Gales, e de todas as partes do mundo de língua inglesa, desejo que saibais que vos tenho a todos muito presentes nas minhas orações neste tempo santo.

 

Rezo pelas vossas famílias, pelos vossos filhos, pelos doentes, por todos os que sofrem por qualquer dificuldade, neste tempo. Rezo especialmente pelos idosos e por aqueles que se aproximam do termo dos seus dias. Peço a Cristo, luz das nações, que afaste das vossas vidas toda a obscuridade e que dê a cada um de vós a graça de um Natal de paz e de alegria. Que o Senhor vos abençoe a todos.”

 

(Fonte: site Rádio Vaticano)

publicado por spedeus às 14:17

Sozinho

Na minha tenda, numa noite destas!

 

Tão longe o tempo da mocidade,

do sapatinho na chaminé

 

A que distância

a noite alegre

a recitar versos,

a cantar fados,

a dizer coisas sem importância.

 

Sozinho

Na minha tenda, numa noite destas!

 

A meu lado,

de repente,

serenos e confiantes,

como se fosse LÁ

e não AQUI,

obedecendo a rito já antigo,

ELES vêm pouco a pouco:

 

O meu Pai,

a minha Mãe,

os Manos,

a criadagem.

 

E eu, sem peru,

nem Bolo Rei

e até

(que tristeza)

sem versos.

 

Como derradeira ilusão

Lá, no meu quarto vazio,

eu sinto que o coração

se transforma em Presépio

e sereno e grave me ajoelho

e eu e ELES rezamos:

 

- Graças meu Deus!

 

- Menino, Te Deum Laudamus!

 

Angola, Bessa Monteiro, Natal 1963

 

António Mexia Alves

 

Nota de JPR: a fotografia publicada não corresponde à do autor do poema, mas inserimo-la por nela se enquadrar muito do espírito desta tão linda época. Obrigado e um Santo Natal para todos!

publicado por spedeus às 11:08

Pronuncia uma homilia, publicada anos mais tarde em Cristo que passa: “Quando chega o Natal, gosto de contemplar as imagens do Menino Jesus. Essas figuras que nos mostram o Senhor tão pouca coisa, recordam-me que Deus nos chama, que o Omnipotente quis apresentar-Se desvalido, quis necessitar dos homens. Do berço de Belém, Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós; reclama de nós uma vida cristã sem hesitações, uma vida de entrega, de trabalho, de alegria”.

 

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

publicado por spedeus às 06:56

Desde logo ofereceu-me o Seu Filho na forma de um Menino sabendo o meu carinho por todas as crianças, mas este ano ofereceu-me a recuperação de uma situação muito difícil do ponto de vista de saúde o meu Pai com 86 anos, que se Deus quiser, chegará do estrangeiro na madrugado do dia 25. Tê-lo junto de nós conjuntamente com os outros familiares que o acompanharam é uma enorme graça, tão grande que não haverá acção de graças que seja suficiente.

 

A todos vós expresso a minha mais sincera gratidão pelas vossas orações que o Senhor ouviu… como Ele e a Sua Santíssima Mãe são tão bons!

 

Louvado seja Deus Nosso Senhor e Maria Sua Santíssima Mãe!

 

(JPR)

publicado por spedeus às 00:03

Sou levado a pensar que, talvez, as pessoas sintam um impulso irresistível para escrever sobre o Natal, o Menino Jesus, as relações e comportamentos humanos que mais se acentuam nesta data.

 

Desta forma multiplicam-se em jornais, revistas, blogs e E-mails estes bocadinhos da alma e do coração das pessoas “tocadas” pela beleza, simplicidade e candura do Natal.

 

Gosto muito de contos de Natal em que esta época do ano é tão prolífica.

 

São contos e histórias muito bem pensadas, alguns de uma singeleza impressionante, outros um pouco mais rebuscados, mas, todos, ou uma enormíssima maioria, têm uma característica comum: Acabam sempre bem; o final é como que uma coroa de felicidade sobre a história contada.

 

Não há que admirar, afinal de contas quem se daria ao trabalho e qual o objectivo de escrever um conto de Natal repleto de tristeza, abandono, infelicidade?

 

Pois é… mas esses contos, essas histórias existem na realidade e não é pelo facto de não serem escritas e publicadas que as podemos ignorar.

 

Tentando “remediar” o caso, proponho que cada um conte a si mesmo essa história triste que conhece, que lê nos jornais ou ouve nas televisões e que, no silêncio do seu coração, peça ao Menino Jesus que lhe dê um final feliz.

 

Um Santo Natal para todos.

 

António Mexia Alves

publicado por spedeus às 00:02

 

Lo! He comes with clouds descending,

Once for favoured sinners slain;

Thousand thousand saints attending,

Swell the triumph of His train:

Hallelujah! Hallelujah!

God appears on earth to reign

 

Every eye shall now behold Him

Robed in dreadful majesty;

Those who set at naught and sold Him,

Pierced and nailed Him to the tree,

Deeply wailing, deeply wailing,

Shall the true Messiah see.

 

The dear tokens of His passion

Still His dazzling body bears;

Cause of endless exultation

To His ransomed worshippers;

With what rapture, with what rapture

Gaze we on those glorious scars!

 

Yea, amen; let all adore thee,

High on thine eternal throne;

Saviour, take the power and glory;

Claim the kingdoms for thine own:

Hallelujah! Hallelujah!

Thou shalt reign, and thou alone.

publicado por spedeus às 00:02

publicado por spedeus às 00:02

São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge e bispo

Sermão sobre o Natal, passim; PG 46, 1128 (a partir da trad. coll. Icthus, vol. 8, pp. 163ss.)

 

«Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador»

 

Irmãos, informados do milagre, vamos como Moisés ver esta coisa extraordinária (Ex 3, 3): em Maria, o arbusto em chamas não se consome. A Virgem dá ao mundo a Luz mantendo a sua virgindade. [...] Corramos pois a Belém, a cidade da Boa Nova! Se formos verdadeiramente pastores, se permanecermos despertos em guarda, ouviremos a voz dos anjos que anunciam uma grande alegria: [...] «Glória a Deus nas alturas, porque a paz desceu à terra!» Aonde ontem apenas havia maldição, teatros de guerra e exílio, a terra recebe a paz, porque hoje «da terra brotará a lealdade, desde o céu há-de olhar a justiça» (Sl 84, 12). Eis o fruto que a terra dá aos homens, em recompensa pela boa vontade que reina entre eles (Lc 2, 14). Deus une-Se ao homem para elevar o homem às alturas de Deus.

 

Ao ouvirmos esta novidade, irmãos, partamos para Belém, a fim de contemplarmos [...] o mistério do presépio: uma criança envolta em panos repousa numa manjedoura. Virgem após o parto, a Mãe incorruptível abraça o Filho. Com os pastores, repitamos a palavra do profeta: «Como nos contaram, assim nós vimos na cidade do Senhor dos exércitos» (Sl 47, 9).

 

Mas por que procura o Senhor refúgio nesta gruta de Belém? Por que dorme numa manjedoura? Por que Se sujeita ao recenseamento de Israel? Irmãos, Aquele que traz a libertação ao mundo vem nascer na nossa submissão à morte. Ele nasce nesta gruta para Se mostrar aos homens, mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Está deitado numa manjedoura porque é Aquele que faz crescer a erva para o gado (Sl 103, 14), porque é o Pão da Vida que alimenta o homem com um alimento espiritual, para que também ele viva pelo Espírito. [...] Haverá festa mais feliz que a de hoje? Cristo, o Sol da Justiça (Mal 3, 20), vem iluminar a nossa noite. Aquele que tinha caído torna a levantar-se, aquele que fora vencido é libertado [...], aquele que tinha morrido regressa à vida. [...] Hoje, cantemos todos a uma só voz em toda a terra: «Por um homem, Adão, veio a morte; por este Homem, vem-nos hoje a salvação» (cf Rom 5, 17).

 

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

publicado por spedeus às 00:01

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São Lucas 2,1-14

 

1 Naqueles dias, saiu um édito de César Augusto, prescrevendo o recenseamento de toda a terra.2 Este recenseamento foi anterior ao que se realizou quando Quirino era governador da Síria.3 Iam todos recensear-se, cada um à sua cidade.4 José foi também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, que se chamava Belém, porque era da casa e família de David,5 para se recensear juntamente com Maria, sua esposa, que estava grávida.6 Ora, estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que devia dar à luz,7 e deu à luz o seu filho primogénito, e O enfaixou, e O reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.8 Naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho.9 Apareceu-lhes um anjo do Senhor e a glória do Senhor os envolveu com a sua luz e tiveram grande temor.10 Porém, o anjo disse-lhes: «Não temais, porque vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo:11 Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor.12 Eis o que vos servirá de sinal: Encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura».13 E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celeste louvando a Deus e dizendo:14 «Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens, objecto da boa vontade de Deus».

publicado por spedeus às 00:00

23
Dez 10

Lux fulgebit hodie super nos, quia natus est nobis Dominus – Hoje brilhará sobre nós a luz, porque nos nasceu o Senhor! Eis a grande novidade que comove os cristãos e que, através deles, se dirige à Humanidade inteira. Deus está aqui! Esta verdade deve encher as nossas vidas. Cada Natal deve ser para nós um novo encontro especial com Deus, deixando que a sua luz e a sua graça entrem até ao fundo da nossa alma.

 

Detemo-nos diante do Menino, de Maria e de José; estamos contemplando o Filho de Deus revestido da nossa carne... Vem-me à lembrança a viagem que fiz a Loreto, em 15 de Agosto de 1951, para visitar a Santa Casa por motivo muito íntimo. Celebrei lá a Santa Missa. Queria dizê-la com recolhimento mas não tinha contado com o fervor da multidão. Não tinha calculado que nesse grande dia de festa muitas pessoas dos arredores viriam a Loreto – com a bendita fé dessa terra e com o amor que têm à Madona. E a sua piedade, considerando as coisas – como diria? – só do ponto de vista das leis rituais da Igreja, levava-as a manifestações não muito correctas.

 

E assim, enquanto eu beijava o altar, nos momentos prescritos pelas rubricas da Missa, três ou quatro camponeses beijavam-no ao mesmo tempo. Distraía-me mas estava emocionado. E também me atraía a atenção a lembrança de que naquela Santa Casa – que a tradição assegura ser o lugar onde viveram Jesus, Maria e José – na mesa do altar tinham gravado estas palavras: Hic Verbum caro factum est. Aqui, numa casa construída pelas mãos dos homens, num pedaço de terra em que vivemos, habitou Deus!

 

(São Josemaría Escrivá - Cristo que passa, 12)

publicado por spedeus às 21:00

publicado por spedeus às 18:00

publicado por spedeus às 09:13

Um menino, de dois anos, salvou o ontem o avô, de 63, que caiu numa mina com oito metros quando passeavam numa zona florestal. A inacreditável história aconteceu em Braga. O acidente poderia ter sido fatal se a criança não tivesse partido em busca de auxílio.

 

Avô e neto resolveram dar um passeio pelas redondezas do lugar da Ponte Nova, na freguesia de Lomar, Braga. Em pleno bosque, José Rocha, 63 anos, acabou por ser surpreendido pelo aluimento do solo, acabando por cair numa mina com oito metros de altura.

 

O pequeno José Barbosa, que só em Fevereiro faz três ano, conseguiu evitar a queda na mina e vendo o estado do avô partir de imediato em busca de ajuda. Estava a um quilómetro e meio de distância da casa do avô.

 

Sem temer a frieza da floresta, galgou um muro e rumou em direcção à Estrada Nacional 309 (EN309), próxima do local do acidente. Após ter andado meio quilómetro a pé sozinho pela estrada nacional, "Zezinho", como é conhecido, conseguiu despertar atenção de uma automobilista que no momento passava na Rua do Souto Noval, que serve de acesso à EN 309.

 

"O meu avô está num buraco", gritou de forma repetida. A mulher, cujo identidade não foi possível apurar, seguiu as indicações da criança, que a conduziu aos vizinhos e familiares de José Rocha, que ficou sem reacção após a queda de oito metros na estreita mina.

 

"Ele só dizia que o avô estava num buraco e apontava para o monte", disse, ao Jornal de Notícias, Conceição Simões, avó da criança e esposa de José Rocha.

 

Seguindo as indicações do menino, a população da Ponte Nova partiu em busca da mina. "Ele não sabia dizer o sítio ao certo e demorámos cerca de uma hora até encontrar José Rocha", relatou José Barbosa, pai do pequeno herói, "um anjo da guarda", como ontem foi várias vezes apelidado.

 

Após baterem o terreno, foi José Barbosa (pai) quem encontrou a mina. "Ele estava lá em baixo, cheio de dores mas consciente", afirmou José Barbosa, que accionou os meios de socorro.

 

(…)

 

(Fonte: JN online)

publicado por spedeus às 07:34

Anota hoje: “Já viste como as crianças agradecem? – Imita-as dizendo, como elas, a Jesus, diante do favorável e diante do adverso: “Que bom que és! Que bom!...”

Esta frase, bem sentida, é caminho de infância que te levará à paz, com peso e medida de risos e de prantos, e sem peso e medida de Amor”.

 

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

publicado por spedeus às 06:56

Segundo o correspondente da BBC no Vaticano, Bento XVI expressará o seu grande afecto pelos britânicos e pede aos ouvintes para pararem e meditarem no significado do nascimento de Jesus Cristo.

 

O Papa não gosta de usar telepontos pelo que a sua intervenção foi lida aos microfones após longas negociações entre a BBC e a Santa Sé.

 

(Texto escrito como resumo por JPR tendo como base o site da BBC em http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-12063684)

publicado por spedeus às 00:02

Deitada no sofá em posição fetal, aninhava-se, fechando-se sobre si própria, envolvendo-se cada vez mais na sua tristeza, no seu desespero, na incrível solidão que naquele momento vivia.

 

Dia 24 de Dezembro, véspera de Natal!

 

Naquela manhã tinha-se levantado decidida a de uma vez por todas confirmar ou não, aquilo que o seu coração há muito lhe dizia, mas ela não queria acreditar.

 

Feito o teste, a resposta era inequívoca: Estava grávida!

 

Naquele momento, sozinha na casa de banho, tinham passado pela sua cabeça e pelo seu coração, os mais incríveis pensamentos, os mais inexplicáveis sentimentos!

 

Por um lado pensara que não podia ser, não era possível, e de maneira nenhuma podia aceitar aquele facto, pelo que tinha de lhe pôr fim muito rapidamente.

Por outro lado, sentira um amor que se desprendia do seu coração e a levara a acariciar a barriga como se alguma coisa já lá se sentisse.

 

Saiu da casa de banho e dirigiu-se para o quarto, com o “coração aos saltos” de nervosismo, mas também com uma sensação de medo.

 

Como iria o seu namorado reagir aquela notícia?

 

Ao vê-la, ele logo percebeu que alguma coisa se passava, pelo que de imediato lhe perguntou o que a preocupava.

 

Numa voz sentida e baixa, repassada de ternura e medo, ela respondeu-lhe dizendo que estava grávida.

 

Não precisava da resposta dele, pois o olhar incrédulo e ao mesmo tempo furioso, revelou sem margem para dúvidas o que ele pensava.

 

Nem se queria lembrar da discussão, das incríveis coisas que ele disse, do ar ofendido e revoltado com que se lhe dirigiu, e sobretudo da tomada de posição ao dizer-lhe que ela tinha de imediatamente pôr fim à gravidez.

 

Lembrava-se de não saber o que lhe responder, pois nela havia um misto de decisões e indecisões, que iam desde o aceitar o que ele propunha, até ao sentimento maternal que falava mais alto, e lhe dizia ao coração que ela não podia terminar aquela gravidez.

 

Ainda estavam nos seus ouvidos a “explosão” do bater da porta da rua e as últimas palavras duríssimas que dele ouviu: Nunca mais me pões a vista em cima!

 

Tinha ficado ali, sem reacção, prostrada, imóvel, sem perceber o que tinha acontecido.

 

Tinham passado uma óptima noite, as promessas de amor eterno, o casamento a marcar e, de repente … o mundo desabava-lhe em cima!

 

Percebeu que no estado em que estava não podia passar a noite de Natal em casa dos seus pais. Eles perceberiam de imediato que alguma coisa de grave se passava, e ela não queria dar explicações nenhumas, nem queria ouvir fosse o que fosse naquele dia!

 

Muito a custo telefonou-lhes tentando fazer uma voz normal, e arranjou uma desculpa mais ou menos verosímil para não estar com a família nesse dia.

 

Agora estava sozinha!

 

Há horas que estava naquela posição. A noite tinha chegado e ela nada tinha comido durante todo o dia. Apetecia-lhe morrer e ao mesmo tempo apetecia-lhe viver.

 

Falava com a sua barriga como se alguém a escutasse, fazendo juras que sozinhos os dois, mãe e filho, haviam de conseguir. Percebeu então que uma decisão estava tomada: Aquele filho ia nascer, contra tudo e contra todos!

 

Ficou um pouco mais animada com a consciência da decisão tomada, mas logo a perspectiva do futuro lhe caiu em cima com uma tal força, que se sentiu fechada numa gruta funda, sem luz, sem ânimo e sem esperança.

 

Olhou para o pequeno presépio que tinha na sala, e lembrou-se da Missa do Galo!

 

Não faltava a essa Missa desde que se lembrava de si própria, e por isso mesmo, decidiu com grande esforço que iria participar nela, mas a uma igreja diferente da habitual, claro, pois não queria encontrar a sua família.

 

Saiu para o frio da rua, o que lhe deu um pouco de alento, tendo-a despertado do torpor em que se tinha deixado envolver.

 

Procurou um lugar na igreja onde ficasse só, pois não queria sorrir a ninguém, não queria cumprimentar ninguém, não queria falar a ninguém.

 

A Missa passou sem ela dar conta e apercebeu-se então que já tinha chegado o momento da Comunhão.

Lembrou-se com alguma mágoa que, de acordo com o que tinha aprendido na família e na catequese, não poderia comungar a hóstia consagrada, dada a vida que vivia.

 

Mas também se lembrou ter aprendido que Jesus nunca abandonava aqueles que a Ele se dirigiam de coração aberto.

Ajoelhou-se e entrando dentro de si, falou com Aquele Menino que há tantos anos “via nascer” no presépio de casa dos seus pais.

 

“Jesus, eu não sei o que acreditar, mas sinto que de alguma maneira estás aqui comigo e me fazes companhia. E agora, Jesus, o que hei-de eu fazer?

Eu só quero sentir amor, sentir que não estou só, e que tomei a decisão correcta.

Sabes, Jesus, ele ofendeu-me muito, mas não lhe desejo mal. Olha lembro-me das Tuas palavras na Cruz e apetece-me dizer o mesmo: Perdoa-lhe que ele não sabe o que faz.”

 

Sentiu uma mão no ombro, que suavemente lhe chamava a atenção, e uma voz terna que lhe dizia: Desculpe mas tem que sair. A Missa já acabou e temos de fechar a igreja.

 

Não se tinha apercebido do tempo passar!

Balbuciou uma qualquer desculpa e saiu rapidamente para a rua.

 

Um sorriso aflorou os seus lábios. Não sabia o que se passava, mas uma paz, uma tranquilidade, uma alegria, invadiam o seu coração. Pela primeira vez nesse dia não teve medo da decisão tomada e teve a certeza inexplicável de que tudo iria correr bem, mesmo com as provações normais que uma situação como aquela acarretava, e que ela tinha decidido viver.

 

Quase ao chegar a casa, reparou num vulto que estava sentado nos degraus da entrada do prédio, todo dobrado sobre si próprio, por causa do frio, claro.

Não teve medo, mas apenas pena daquele pobre desgraçado que não devia ter onde ficar, e pediu a Jesus que o ajudasse também.

 

Ao subir os degraus da entrada, o vulto levantou-se, e prostrou-se de joelhos diante de si, dizendo apenas:

- Perdoa-me! Perdoa-me que eu nem sei as asneiras que disse, o mal que te fiz! Perdoa-me!

 

Olhou para a cara dele. As lágrimas corriam-lhe pela face, mas ele não se importava. Apenas não conseguia olhá-la nos olhos, de tão envergonhado que estava.

 

Puxou-o para cima, pegou-lhe na cara com as duas mãos, e deu-lhe um terno beijo nos lábios.

 

Numa voz entrecortada pelo choro, ele apenas dizia:

- Eu amo-te, eu amo-te, e a melhor expressão do meu amor, do nosso amor, é este filho nosso que trazes em ti e que eu quero viver contigo! Como pude ser tão cego, tão desumano, tão desprezível! Casamos amanhã, casamos mal seja possível! Eu quero estar contigo e viver todos esses momentos da tua gravidez, e do nascimento do nosso filho!

 

E não se calava, até que ela suavemente lhe colocou a mão nos lábios e o empurrou para dentro de casa.

 

Olhou para ele, fixamente nos olhos, e disse com a voz cheia de amor e ternura:

- O amor tudo vence! O passado já passou e não volta mais! Vivamos agora o presente e o futuro!

 

Ele aquietou-se e ficaram abraçados por um longo período de tempo, apenas gozando e sentindo a companhia um do outro.

 

Ela afastou-se então um pouco e disse-lhe:

- Hoje ainda tens que fazer mais uma coisa comigo, por mim e por ti.

 

Ele anuiu, baixando a cabeça.

 

Aproximaram-se então de mão dada do pequeno presépio, e ela ajoelhou-se com ele, dizendo:

- Agradece comigo a Jesus, o Amor que nasce no coração dos homens e que hoje renasceu nos nossos corações!

 

Lá fora ouviam-se vozes de jovens que cantavam:

 

“Noite feliz, noite feliz!

O Senhor, Deus de Amor,

Pobrezinho, nasceu em Belém

Eis na lapa Jesus, nosso Bem

Dorme em paz, ó Jesus!

Dorme em paz, ó Jesus! ”

 

ou então … eram os ouvidos dos seus corações unidos que assim ouviam.

 

Monte Real, 21 de Dezembro de 2010

 

Com este Conto de Natal, desejo a todas as minhas amigas e todos os meus amigos que aqui costumam ajudar-me nesta caminhada para Deus, por Deus e com Deus, um SANTO e FELIZ NATAL e um ANO NOVO cheio das bênçãos de Deus.

Este Conto de Natal, constitui também a minha participação do 25º Dia de Caminhada para o Natal, que amanhã prossegue com a Gisele.

 

Joaquim Mexia Alves

http://queeaverdade.blogspot.com/2010/12/conto-de-natal-2010.html

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Liturgia bizantina

Lucernário das Grandes Vésperas da festa da Natividade de João Baptista (a partir da trad. Chevetogne)

 

Começou a falar, bendizendo a Deus.

 

Pelo seu nascimento, São João

pôs fim ao silêncio de Zacarias:

a partir desse momento, não pôde mais calar-se

aquele que gerou a voz que brada no deserto (Mt 3, 3),

anunciando a vinda de Cristo.

Mas, como a incredulidade

começara por prender a língua do pai,

a manifestação devolveu-lhe a liberdade;

e foi assim anunciada, e depois trazida à luz

a voz do Verbo, o Precursor da Claridade,

que intercede pelas nossas almas.

 

Neste dia, a Voz do Verbo liberta

a voz paternal, prisioneira da sua falta de fé;

da Igreja manifesta a fecundidade,

fazendo cessar a maternal esterilidade.

À frente da luz avança o candelabro

do Sol da Justiça recebe o reflexo (Mal 3, 20)

o raio que anuncia a Sua vinda

para a restauração universal

e a salvação das nossas almas.

 

Eis que avança, vindo de um seio estéril,

o mensageiro do Verbo Divino,

que haveria de nascer de um seio virginal

o maior de todos os filhos dos homens (Mt 11, 11),

o profeta que não tem igual;

porque as coisas divinas precisam de um começo maravilhoso,

seja a fecundidade numa idade avançada (Lc 1, 7),

ou a concepção operada sem semente.

Glória a Ti, ó Deus, que fazes maravilhas pela nossa salvação. [...]

 

Apóstolo universal,

objecto do anúncio de Gabriel (Lc 1, 36),

ramo nascido da estéril e mais bela flor do deserto,

amigo íntimo do Esposo (Jo 3, 29),

profeta digno de aclamação,

pede a Cristo que tenha piedade das nossas almas.

 

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

publicado por spedeus às 00:00

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São Lucas 1,57-66

 

57 Completou-se para Isabel o tempo de dar à luz e deu à luz um filho.58 Os seus vizinhos e parentes ouviram falar da graça que o Senhor lhe tinha feito e congratulavam-se com ela.59 Aconteceu que, ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e chamavam-lhe Zacarias, do nome do pai.60 Interveio, porém, sua mãe e disse: «Não; mas será chamado João».61 Disseram-lhe: «Ninguém há na tua família que tenha este nome».62 E perguntavam por acenos ao pai como queria que se chamasse.63 Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu assim: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados.64 E logo se abriu a sua boca, soltou-se a língua e falava bendizendo a Deus.65 O temor se apoderou de todos os seus vizinhos, e divulgaram-se todas estas maravilhas por todas as montanhas da Judeia.66 Todos os que as ouviram as ponderavam no seu coração, dizendo: «Quem virá a ser este menino?». Porque a mão do Senhor estava com ele.

publicado por spedeus às 00:00

«Dá "toda" a glória a Deus. - "Espreme" com a tua vontade, ajudado pela graça, cada uma das tuas acções, para que nelas não fique nada que cheire a humana soberba, a complacência do teu "eu".» São Josemaría Escrivá – Caminho, 784 O ‘Spe Deus’ tem evidentemente um autor que normalmente assina JPR e que caso se justifique poderá assinar com o seu nome próprio, mas como o verdadeiramente importante é Deus na sua forma Trinitária, a Virgem Santíssima, a Igreja Católica e os seus ensinamentos, optou-se pela discrição.
NUNC COEPI - Blogue sugerido para questões de formação, doutrina, reflexões e comportamento humano
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