«Creio para compreender e compreendo para crer melhor» (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9) (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9)

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Set 08
Mons. Javier Echevarría afirma nesta entrevista publicada na imprensa catalã que «todos podemos e devemos viver uma vida de intimidade com Deus»


Com que espírito estão a viver a comemoração dos 25 anos da prelatura pessoal do Opus Dei?

Sem alterar o ritmo de trabalho habitual, cada um está a procurar dar muitas graças a Deus por todos os bens recebidos. Neste sentido, dispus que este ano, até ao próximo dia 28 de Novembro, na prelatura do Opus Dei seja um ano mariano de acção de graças. É claro que este aniversário é também uma oportunidade para renovar o empenho pessoal por seguir mais de perto Jesus Cristo, em comunhão com o Papa e todos os Bispos diocesanos.

Empregando termos humanos, pode dizer-se que já atingiram a maioridade?

Se se olha para o serviço que a prelatura está chamada a prestar à Igreja e às almas ao longo dos séculos, podemos dizer que está ainda nos começos; certamente que não no que se refere à sua missão — recordemos a vocação de todos os cristãos à santidade, através da vida corrente —, mas sim na amplidão e profundidade da tarefa evangelizadora que tem confiada, pois ainda não é extenso o trabalho que podemos assumir em comparação com as expectativas de tantos na Igreja: por exemplo, de um grande número de Bispos que desejariam que começássemos a trabalhar nas suas dioceses.

Por outro lado, todos os fiéis da prelatura temos em cada dia, com a ajuda da graça, o repto de tornar realidade essa mensagem na nossa vida. Deste ponto de vista, que é o que, em minha opinião mais importa, o Opus Dei nunca poderá considerar-se de maioridade; pois está completamente necessitado da ajuda de Deus, como um filho pequeno necessita dos seus pais.

O que significou para o Opus Dei, há 25 anos, o reconhecimento jurídico como prelatura pessoal? Porque é que se elegeu esta figura jurídica em vez de outras mais frequentes no âmbito dos movimentos laicais?

A erecção do Opus Dei como prelatura pessoal pelo Papa João Paulo II, após uma amplíssima consulta a milhares de Bispos e de um cuidadoso estudo, representou o pleno reconhecimento eclesial do carisma fundacional. Como muita gente sabe, em 2 de Outubro de 1928 São Josemaria viu que Deus lhe pedia para promover em todo o mundo a chamada universal à santidade e uma tomada de consciência efectiva e plena por parte dos leigos da sua missão na Igreja e no mundo, principalmente através da santificação do trabalho e das circunstâncias correntes da sua vida. O labor que surgiu daquela semente inspirada por Deus e que se foi estendendo por muitas partes do mundo, não encontrou o enquadramento adequado no direito interno da Igreja até que o Concílio Vaticano II estabeleceu as prelaturas pessoais para determinadas finalidades apostólicas. Esta figura jurídica encaixa perfeitamente na missão — plenamente secular e de âmbito internacional — do Opus Dei, na qual convergem organicamente fiéis leigos — que continuam a pertencer às suas respectivas dioceses — e sacerdotes seculares incardinados na prelatura. Por outro lado, sublinha a plena comunhão com os Bispos diocesanos e clarifica a sua inserção nas diferentes dioceses. Foi, pois, um dia longamente desejado pelo fundador, pelo qual rezou e se mortificou muito, ao ponto de oferecer o sacrifício de não ver realizado em vida o pleno reconhecimento eclesial por parte da suprema autoridade da Igreja.

De resto, os fiéis do Opus Dei, ao procurarem viver com fidelidade o seu compromisso como cristãos — iguais aos outros — sentem-se numa particular comunhão de oração, de intenções e de afectos com todos os carismas da Igreja, que são sempre uma riqueza do Povo de Deus, realidades antigas ou novas, como os movimentos eclesiais.

Como evoluiu a prelatura nestes 25 anos? Quais foram os acontecimentos mais importantes?

A configuração jurídica definitiva ajudou muito a que se compreendesse a missão do Opus Dei ao serviço da Igreja universal e a sua plena inserção nas Igrejas locais. Durante estes 25 anos, além disso, houve grandes motivos de alegria, como a canonização do fundador. Outro momento que me parece necessário mencionar é o transito do seu primeiro sucessor, D. Álvaro del Portillo, cuja causa de beatificação já foi iniciada. Além disso, a prelatura nestes anos estendeu os seus apostolados a novos países dos cinco continentes.

No entanto, gostaria de sublinhar que, para os fiéis do Opus Dei, os acontecimentos mais importantes não são desse tipo, mas antes os que enchem a vida corrente de cada um; embora passem inadvertidos e possa parecer não terem transcendência, são lugar onde Deus espera cada pessoa, lugar onde O podemos encontrar.

De que forma o falecimento do fundador afectou a prelatura?

Deus concedeu ao nosso fundador um coração de pai, cheio de humanidade. O seu falecimento causou, num primeiro momento, profunda dor. No entanto, depois, com a ajuda de D. Álvaro del Portillo, que nos convidou a todos a manter aberta essa ferida na alma para cuidar fielmente do tesouro que tínhamos recebido, compreendemos que esta família do Opus Dei tinha já a sua cabeça e o seu coração no Céu.

De resto, São Josemaría procurou durante toda a sua vida não ser imprescindível. Ocupou-se em deixar «esculpido» — era assim que dizia — o espírito do Opus Dei. Aos que recebemos esse espírito cabe-nos agora ser muito fiéis a esta mensagem e fazê-la frutificar no dia a dia. Dou muitas graças a Deus por me ter dado a oportunidade de conviver tantos anos com um santo como São Josemaría Escrivá de Balaguer. Confio plenamente na força da sua intercessão e penso que hoje nos continua a olhar e a ajudar com o seu afecto paterno e materno, enquanto nos diz, como repetia com frequência: «Mais, mais, mais!» Sempre podemos amar mais, fazer mais por Deus e pelo próximo; para que, com os nossos erros, nos empenhemos por terminar cada dia mais perto de Deus do que quando o começámos.

Qual é o segredo do Opus Dei para, sobretudo na Europa, continuar a atrair os jovens para um seguimento radical de Cristo, quer através da vida matrimonial, do celibato apostólico ou do sacerdócio?

O mesmo segredo que tem a Igreja e que não pode ser outro senão a atracção sempre actual de Nosso Senhor Jesus Cristo. Recai sobre todos os cristãos a obrigação de tornar presentes, com o nosso exemplo e com a nossa palavra, o rosto e a mensagem adoráveis de Cristo sem camuflagens, embora possa parecer que vamos em contracorrente. E a experiência é que Jesus Cristo arrasta sempre.

Por outro lado, para usar uma comparação que utilizava frequentemente São Josemaría, o Opus Dei não é senão uma grande catequese. Oferece meios de formação cristã e um acompanhamento espiritual personalizado aos seus fiéis e às pessoas que participam nos seus apostolados. E são estes que com a naturalidade da sua vida, da sua amizade e da sua conversa pessoal, dão a conhecer a doutrina do Evangelho aos seus familiares, amigos, colegas, vizinhos...

25 anos depois, quais são os reptos mais urgentes que deve enfrentar hoje a prelatura?

O repto fundamental é a santidade pessoal de cada um dos seus membros e a extensão dessa aspiração à santidade entre muitas pessoas mediante o trabalho de evangelização. Esta tarefa, que é e será sempre actual, hoje é particularmente urgente, como não deixa de recordar a todos os homens de fé o Santo Padre, Bento XVI.

Por outro lado, como já disse, muitos Bispos pedem para que a prelatura comece a sua actividade apostólica nas suas dioceses. Há precisamente um ano abriu-se o primeiro Centro do Opus Dei em Moscovo. Nesta altura estamos a rezar e a trabalhar para que se torne realidade o trabalho estável da prelatura na Roménia e na Indonésia.

Outro repto igualmente perene para os fiéis do Opus Dei e para todos os cristãos, particularmente para os leigos, é contribuir com todas as mulheres e homens de boa vontade para configurar uma cultura que seja coerente com a dignidade da pessoa humana.

Podemos falar de carisma do Opus Dei? O pilar da sua espiritualidade continua a ser «a santidade através do trabalho»?

Com efeito assim é e assim será sempre. Por um lado, qualquer trabalho honesto, qualquer ocupação honrada, bem feita, acabada por amor, pode e deve ser lugar de encontro com Deus, de serviço aos outros e de melhoria pessoal; Deus chama-nos não só quando rezamos, mas durante todos os momentos do dia. Não há lugar para falar de ocupações de segunda categoria, porque todas as ocupações profissionais podem ser ocasião para nos encontrarmos com Deus. E não só o trabalho; para os casados, por exemplo, o cumprimento amoroso dos seus deveres matrimoniais e familiares é também verdadeiro caminho de santidade, como o é o exercício do sacerdócio para os sacerdotes e para todos os cidadãos o cumprimento leal dos justos deveres cívicos.

Por outro lado, Deus chama-nos a todos a ser santos; não só a alguns, mas a todos. Todos podemos e devemos viver uma vida de intimidade com Deus, posto que todos somos filhos de Deus e espera amor de todos os Seus filhos.

Muito unidos a esta mensagem central estão a coerência de vida, o amor à liberdade pessoal e ao afã por ser semeadores de paz e de alegria no seio da sociedade, sem pôr barreiras a pessoa alguma.

Como prelado do Opus Dei, como enfrenta a responsabilidade de encabeçar um dos carismas mais vivos e entusiastas da Igreja actual?

Perdoar-me-á se protesto um pouco pelos termos da sua pergunta. Na Igreja actual — como sempre aconteceu — há muita riqueza espiritual, muitas manifestações de que o Espírito Santo a está a acompanhar e a inspirar. O Opus Dei é uma prova mais dessa perene vitalidade da Igreja, mas não queremos ser «os melhores alunos da turma». Pessoalmente, posso dizer-lhe que conheço muito bem a desproporção das minhas forças para a tarefa confiada e que procuro apoiar-me na oração dos fiéis da prelatura, dos cooperadores e de tantas pessoas que rezam pelo nosso trabalho. Mas, além disso, a prelatura do Opus Dei não pretende nenhuma glória humana; aspira a servir sem segredo algum, mas discretamente, como a levedura.

A intercessão da Virgem Maria, a quem decidiram encomendar este aniversário, seguramente que esteve presente durante estes 25 anos...

Sem dúvida. E não somente durante estes 25 anos, mas durante toda a história do Opus Dei. Perante qualquer necessidade, temos recorrido sempre a Maria. São Josemaria socorreu-se, desde os primeiros pressentimentos do que Deus lhe pedia, à Nossa Mãe; e, dentre muitos outros detalhes, foi em peregrinação a santuários marianos de todo o mundo. Também a Montserrat e, especialmente, a Nossa Senhora das Mercês de Barcelona. As suas visitas a esta basílica de Barcelona têm uma estreita relação com o caminho jurídico do Opus Dei, que terminou felizmente há já 25 anos. No presente e no futuro continuará a ser sempre necessária a ajuda da Virgem. Durante este ano mariano que estamos a celebrar na Obra, animei todos os fiéis da prelatura a viver com mais esmero a devoção do Santo Rosário e a que a estendessem entre os seus colegas, amigos e familiares. É uma oração plenamente actual.



(Fonte: site Agência Ecclesia)

publicado por spedeus às 14:51

«Dá "toda" a glória a Deus. - "Espreme" com a tua vontade, ajudado pela graça, cada uma das tuas acções, para que nelas não fique nada que cheire a humana soberba, a complacência do teu "eu".» São Josemaría Escrivá – Caminho, 784 O ‘Spe Deus’ tem evidentemente um autor que normalmente assina JPR e que caso se justifique poderá assinar com o seu nome próprio, mas como o verdadeiramente importante é Deus na sua forma Trinitária, a Virgem Santíssima, a Igreja Católica e os seus ensinamentos, optou-se pela discrição.
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